quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Primeiras faces do monumento

Acho que ninguém esperava essa.
Afinal, qual não foi minha surpresa ao abrir o email do Hipóbole e encontrar textos para serem postados hoje. E que surpresa agradável, devo admitir! Decidi até escrever essas poucas linhas de introdução à coluna para exprimir minha alegria e agradecer a Kendo por ter reforçado o ponto com o texto de ontem.

Mas além do texto principal, recebemos também algumas linhas do Felipe Areias, que não cabem num post isolado, mas merecem menção:
"Aposto que meu texto vai ser utilizado porque nem um blog alternativo (ainda mais um com pouco mais de uma semana de vida) conseguiria criar uma boa concorrência de textos... A não ser que o blog inclua fotos pornográficas em seus posts.
Como ainda não achei o tal conteúdo pornográfico, fica aqui o texto pequeno que todo blog de precisa para chamar de modernista."


Se não encontraste nenhum conteúdo pornográfico, Felipe, recomendo que leias novamente o texto do Marco do domingo passado. Sobre fotos, acho que podes encontrá-las sozinho, em outro lugar.

Finalmente, devo gratidão ao nosso colunista convidado, Lucas Cassol Gonçalves, cujo texto, Laranjas, inaugura a coluna a seguir.

Laranjas

Como procrastinar tamanha indiferença observando a imbecilidade em meio a nebulosos tormentos coadjuvantes que nos rodeiam neste império babilônico?
Acreditaram “eles” que todos ficariam submersos neste lamaçal inconseqüente até o final dos dias, ou então que a pequena parcela permaneceria calada apenas condicionada ao marasmo das obrigações momentâneas. Enganaram-se, ao esquecer que uma laranja boa pode/deve - e nisto tenho concreta certeza, contrariando os ditos populares - mesmo que por osmose tornar as outras laranjas ao menos um pouco “melhores”.
Contando os fragmentos que estão soltos pela terra, podemos ver um claro grupo se formando sorrateiramente, nem tão subliminar a ponto de ser desconsiderado nem tão chamativo a ponto de se tornar preocupação.
Pensantes sonâmbulos.Começando a se agrupar (entenda-se alinhar) com uma força regente maior, algo poético, quase “divino” que nem atrevo-me a entrar em detalhes, visto que esse texto tem um cunho muito mais elucidativo-prático do que propriamente influenciável misticamente (oceano divisório de tantas sociedades e filosofias). Entretanto quando todos estiverem aptos para tal “iluminação”, este tema obviamente tornar-se-á impossível sem a devida introdução aos antigos ensinamentos.
Retornando ao assunto principal, dizia que todos estão sinceramente coniventes com a situação que encaminha-se para o ponto crítico inflamável na qual estamos inseridos, padecemos inebriados aguardando uma modificação social, uma tomada de decisão dinâmica, uma revolución no estilo pseudo-socialista, algo que nos tire da zona de conforto indestrutível. Vejo que apesar de tudo, uma nova quebra generalizada mundial tende para o fortalecimento humanitário, - utópica conclusão quando integrada ao realismo egóico que beira a insensatez que nos aflige - porem estamos em uma era de máquinas, já não mais de lutas corpo a corpo, de manipulação instantânea e avassaladora (mesmo imperceptível aos olhos, ela carrega a todos de maneira física e principalmente psicológica). “É hora de recolher os brinquedos”.
Embasado neste denso cenário atual, e devido ao aumento exponencial da desigualdade, gerando assim uma revolta no centro consumista do magma capitalista, que conseqüentemente chego a seguinte visualização: Caos. Mas enxergo além dessa míope perspectiva, faço as projeções para o pós-caos, quando todo os valores materiais, crenças e apegos serão inúteis, pois nada mais será útil num ambiente hostil onde só a cooperação será válida entre os homens desorientados pelas chagas (observem o cenário atual).
Por exemplo, flutuamos na falsidade denominada: “Preservação Ambiental” esse modismo hipócrita midiático, que agora (justamente) vêem nos cobrar o que deveríamos ter feito a muito tempo atrás, na verdade é só mais um reflexo do desrespeito e imediatismo humano. Para os desavisados, peço-lhes gentilmente que pesquisem com cuidado sobre os seguintes temas: ONGs, Hiper-faturamento, Cooperativa, Tributos, e Incentivos. Adianto tratar-se de simples arrecadação meus caros amigos, alias, temos o mágico poder de transformar soluções que serviriam para melhorar a qualidade de vida de todos, em mais um meio de acumulo ilícito de capital. Beng! Sempre direto ao ponto.

Lucas Cassol Gonçalves

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Sobre Química.

Hoje eu iria postar algo infame e infantil, e conseqüentemente engraçado. Se você queria algo com uma dessas características, volte semana que vem, prometo todas essas características no post de semana que vem. Fui tomado por um ímpeto, ontem, após estudar umas 4 horas de química para a prova de hoje, de escrever algo sobre química. É uma matéria que repudio, e falo isso correndo o risco de insultar 4/6 da minha equipe de colunistas que adoram essa matéria. Nada mais justo que explicar o porquê.
Você gosta de ser enganado? Química é isso. Nada que aprendemos é o que realmente é. Não existem letrinhas que se juntam a outras com setinhas, não existem bolinhas, o benzeno não é um hexágono perfeito com um círculo no meio. As reações reais são infinitamente mais complexas do que as que nos ensinam. Me lembro de uma música amadora que um amigo fez para protestar contra isso, o refrão dizia assim: ‘’Química subliminar/ Faz você acreditar/ No que vão te ensinar.’’
Entretanto, só existem dois modos de descobrir essas coisas: Cursando química em alguma faculdade, ou através de estudo próprio, curioso, e muito extensivo, soma que torna essa opção quase inviável.
Mas é preciso saber mesmo como essas coisas funcionam? Pense bem, na terceira série, quando aprendemos sobre a Conjuração Mineira, vemos que Tiradentes foi um grande herói nacional, que morreu com ideais revolucionários, por todos os outros inconfidentes. Entretanto ao chegarmos ao ensino médio, é dito que Tiradentes morreu como um bode-espiatório, para livrar os outros inconfidentes que possuíam muito mais riquezas e poder que ele. Seria certo jamais descobrirmos a verdade sobre o nosso suposto herói? Pois é, grande parte de nós jamais descobrirá sobre os verdadeiros processos da química. Ficaremos para sempre como um filho adotado, que na adolescência descobre, por descuido ou revelação tardia dos guardiões, que na verdade jamais chegou a conviver com seus pais biológicos, e que passará o resto dos dias se indagando da sua verdadeira origem. Agora vejamos a segunda opção, o estudo intensivo.
Existem duas vias principais para se atingir a felicidade na vida, a da ignorância, ou inocência, e a do saber. A da ignorância se baseia basicamente em jamais questionar o mundo à sua volta, sempre aceitando tudo como é. O do saber, ao contrário, é baseado em absorver conhecimentos, perguntar, jamais aceitar uma meia explicação. O estudo intensivo está nessa segunda opção. A grande questão dela, é que, durante o pouco tempo que passamos vivos, é impossível absorver conhecimentos o suficiente pra suprir as nossas necessidades, é incabível aprender tudo sobre tudo.
Eu li uma vez, que na vida temos duas caixas, uma na mão esquerda e uma na direita. A da direita é onde guardamos todas as coisas essenciais. Tinha uma explicação bastante lógica para a escolha da mão, mas agora não me recordo qual.
A Caixa da mão esquerda. É onde se guardam os prazeres dispensáveis. Dá vontade de se enclausurar nessa caixa, e passar a vida nos dedilhados de Chopin, no Beethoven. Mas agora chegamos num ponto, onde é impossível fazer essa escolha. Chegamos num ponto onde a curiosidade se tornou a guia, e que não é possível aceitar meias explicações, a caixa da mão esquerda agora é só um privilégio que aproveitamos em raras e notáveis ocasiões.
E é por isso que eu odeio química. Pra falar a verdade, o professor monótono também não ajuda muito.

Um post monumental.

Esse post é um monumento. Você parou para ler ele, na correria do dia a dia. Você tem suas próprias razões imagino. Em respeito ao homenageado, fascínio pelas aves que agora fazem dele seu lar, ou apenas a curiosidade de saber a razão de haver um monumento no meio de um blog.
Ao se inclinar para ver a placa de bronze presa a estrutura, já desgastada pelo tempo e poluição, é possível ler com certa dificuldade as palavras que estão gravadas:

''Em Homenagem ao Colunista Desconhecido das Quartas-feiras. Você, estranho, que passa aqui todo o dia em meio a distração da rotina, que lê com '?'(Os desgastes tornaram a palavra ilegível) religiosa os textos do hipóbole, que ocasionalmente deixa seu comentário construtivo naquele texto que te agrada mais, ou que te irrita ao ponto de ser impossível conter as críticas, que, enfim. Pense nos textos jamais escritos do Colunista Desconhecido das Quartas-feiras.''

Chega de metáforas. Já explicaram isso antes, mas eu acho que é sempre bom dar uma reforçada: As quartas-feiras estão destinadas aos textos que vocês leitores mandam para nós. É claro que podemos ver aqui, nas próximas semanas, textos de amigos próximos que não fazem parte do grupo dos 6 colunistas crassos. Mas, ao meu ver, é bastante interessante receber textos de pessoas aleatórias que lêem o blog por alguma razão que me escapa a lógica. O processo de seleção não é nem um pouco duro, e se seu texto não for selecionado logo de cara, ele poderá aparecer nas semanas seguintes. Para mandar o texto(que por sinal, pode ser qualquer tipo de texto) é só entrar em contato com alguns dos colunistas, os e-mails estão nos perfis. Essa quarta eu mesmo vou por um texto, as razões para isso estão explicadas mais ou menos no post logo abaixo.

Por favor não pixem o monumento, ele já tem fezes de pombo o suficiente.

Apresentação – Parte 3 (Ou egocentrismo é foda)

Só porque todo mundo tá fazendo. Eu só quero ser como os caras legais sabe?

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’’Sois cristão?’’
Na verdade, sim. Mas também sou bravo, forte, filho do Norte. Nordeste pra ser mais exato. Filho de Pseudo-retirantes como diriam alguns. Convenhamos, também não sou muito forte. Mas bastante bravo quando em números. Não Luiza, puro sangue não.

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Os modernistas foram aclamados por escreverem sobre situações cotidianas, da rotina. Para mim isso é docemente conveniente.

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Aposto que você entrou hoje no hipóbole procurando um texto de verdade né?HÁ!

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Peço uma desculpa aos nossos 3 leitores, e aos meus colegas colunistas. O dever acadêmico me impede de aproveitar do tempo ocioso para escrever meu texto de hoje. Prova de Química. Amanhã. Guardem suas tochas e tridentes. Eu peço paciência. Se os planetas conspirarem, e com a ajuda de Cronos, eu ponho algo decente na quarta. Chega de indecência no hipóbole!

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Por sinal o Microsoft Word® não só não reconhece a palavra hipóbole, como sugere uma correção oportuna. Adivinha qual? Hipérbole! Isso é um insulto a nossa iniciativa!

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Terças-feiras no hipóbole agora com mais Kendo! Quer dizer não exatamente essa terça. Mas amanhã eu ponho um texto de verdade, e peço a Luiza ou ao Marco mudarem a data pra hoje. Isso mesmo, malandragem descarada. Lá vem o Vitor, descendo a Ladeira, pandeiro na mão, samba no pé! Protelando o trabalho! Essa malandragem carioca é o que eu vou passar pro meu filho! (Ou não).

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Até amanhã, que por sinal, deveria ser a estréia de nosso colunista convidado da semana, porém não achamos entre as mais de 400 crônicas, contos, dissertações, poemas e apresentações em PowerPoint enviadas para o e-mail do blog, algo que atingisse o nível de qualidade dos textos do hipóbole. Além disso, negar todas as tentativas ajudou a inflar nossos egos, então elas não foram totalmente inúteis! É. Na verdade não recebemos nenhuma sugestão de texto. Droga. Até amanhã.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

As Coisas (in) visíveis

Um dia me disseram que os dias são como as flores. Nascem, tomam o seu rumo e ao fim, morrem. Só não me disseram que coisas eram aquelas que estavam sempre ocultas e que pela sua simplicidade nem todos chegavam a conhecê-las. Pessoas passam dias, meses, anos ou a vida inteira buscando algo que para alguns esteve sempre ali, ou que ao menos não lhes exigiu uma tão longa jornada assim ao encontro delas.
Lembro-me de uma aula de Língua Portuguesa, onde a professora escrevia no quadro o pensamento de um literato (o qual não me recordo mais o nome), que falava das duas caixinhas que recebíamos ao vir ao mundo. Uma vinha para a mão direita e a outra para a mão esquerda.
A da mão direita era a caixa das necessidades, era aquela a que recorreríamos nos momentos “sérios” da vida. Nos problemas seja os de matemática ou os da vida pessoal, era a caixa indispensável à sobrevivência, já que nós, seres humanos, nascíamos destituídos de todo e qualquer conhecimento racional e por fim necessário. Por que a mão direita? Não sei.
A da mão esquerda era a caixa de inutilidades, nela continha todos os sentimentos, todas os anseios, os cheiros de flor e barulho de pássaros e sonatas de Beethoven e os dedilhados de Chopin, o gosto de pé descalço no mato e de manga saboreada no verão. Sim a caixa de inutilidades não era indispensável, como o próprio nome dizia “inutilidades”, para nada servia.
Sabe-se lá...Por que passamos toda a vida sem saber o que é felicidade, ou por que a procuramos como se ela estivesse sempre á frente e nós como atletas tivéssemos que “maratonizar” por toda a mesma. Sabe se lá...Por que os deuses (ou Deus), decidiram confiar a nós duas coisas tão antagônicas e que no fim percebemos que se completam...Dois objetos que na verdade são a própria vida, porém não existem mais as caixas e os conteúdos se confundem .
Não à toa vai dizer Cecília Meireles, que essas coisas (in) visíveis persistem sempre presentes, elas esperam que a achemos, que a contemplemos, mas há os que as vêem, os que tentam vê-las e os que vão passar a vida inteira sem vê-las...Pois é preciso saber vê-las assim.

domingo, 21 de outubro de 2007

Sobre por que os parnasianos “pegavam mais mulher” (sic)


Há quem diga que a poesia é a descoberta das coisas que nunca vimos. Discordo. Ao menos em um caso específico, percebi que é a descoberta de coisas que nem sempre queremos ver. Conto agora a história de como descobri por que, na assim chamada arte da estronda (sic), os parnasianos superavam os modernistas.
Começa a história no dia em que completava seis meses de namoro com Teresa. Foi triste perceber que a rotina havia transformado nossa relação em algo sem graça, repetitivo, mas estava disposto a fazer algo para impedir que isso a levasse a me abandonar. Escreveria um poema em sua homenagem.
O caderno que tantas vezes usei para fazer piadas, criticar o que merece ser criticado ou escrever besteiras quaisquer agora seria rabiscado por um poema que impressionasse Teresa. “A primeira vez que vi Teresa/ Achei que ela tinha pernas estúpidas/ Achei também que a cara parecia uma perna...” Não, um tanto ofensivo e acho que já li isso em algum lugar, pensei. Talvez, “Teresa, você é a coisa mais bonita que eu já vi até hoje na minha vida...” Também não muito original. Tudo a que cheguei foi a conclusão de que escrever um poema não é exatamente simples.
Mudei logo de idéia, e de estratégia. O espírito de malandragem me levou a buscar um livro na estante e utilizar o primeiro poema que visse. Autor: Ferreira Gullar. Ótimo, com um pouco de sorte ela não conhece esse e, mesmo em caso contrário, ficará impressionada com o fato de eu conhece-lo. A euforia foi tanta que nem li aquele texto que viria a se tornar minha perdição; guardei o livro na mochila e fui ao meu encontro.
Quando vi Teresa de novo/ Achei que seus olhos pareciam eram muito mais velhos que o resto do corpo/ Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do [corpo nascesse. Não liguei para esse pensamento aleatório que passou pela minha cabeça; tinha uma missão, afinal. Ao saber que tinha preparado aquele recital, Teresa ficou encantada. Comecei, então:
“turvo turvo/ a turva/ mão do sopro/ contra o muro/ escuro/ menos menos/ menos que escuro/ menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo/ escuro/ mais que escuro:/ claro/ como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma/ e tudo/ (ou quase)/ um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas...”
Até esse momento, tudo ia bem. Talvez porque gostasse talvez porque não entendesse, minha garota manteve um sorriso artificial (daqueles de que não está entendendo nada) até esse trecho. Sorriso esse que se desfaria com os versos seguinte.
“azul/ era o gato/ azul/ era o galo/ azul/ o cavalo/ azul/ teu cu/ tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como uma boca do corpo (não como a tua boca de palavras)/ como uma entrada para...”
O choro da jovem denunciava que algo estava errado... Teria eu errado na leitura de algum trecho? Quando perguntei o porquê daquela situação, ouvi uma voz arrastada dizer que, dentre todos os poemas de Gullar, dentre todos os poemas da língua portuguesa que poderia escolher, o poema sujo era o menos indicado. Nunca mais vi Teresa. Os céus se misturaram com a Terra/ E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.Assim perdi minha primeira namorada, mas aprendi uma boa lição. Na vez seguinte que sai com uma garota, recitei um poema do Bilac mesmo, pra não ter problema. E foi assim que cheguei à conclusão com que iniciei meu texto: sem dúvida alguma os parnasianos, como dizem por aí, “pegavam mais mulher” que os modernistas.

Respostas ao operário que lê

A Bertold Brecht

Eu sei quem construiu Tebas, a Muralha da China e os arcos de Roma.
Eu sei sobre a campanha da Gália, a conquista das Índias e a Invencível Armada.
Guardo comigo muito mais páginas, muito mais décadas.
Sou mais eficiente...
E assim tomei teu emprego.

Não sabes quem são os que fizeram história e não estão na História?
Como tens tempo de sobra,
Proponho-te nova pergunta.
E aqueles que não estão na História
Mas não tiveram em vida chance de fazer história?

Os que, como tu,
Não têm pedras para carregar,
Muralhas por construir.
O desemprego é problema de hoje?
O desemprego é problema só teu?
O desemprego não tem solução?

Tantas perguntas,
Uma resposta
00111111

Uma semana que passa...

*Nessa seção pretendo expor semanalmente pensamentos aleatórios que tenham passado pela minha cabeça e mereçam (ou não) destaque.
_Resolvi voltar a cultivar a barba. Sigo, assim, aquela idéia que já expus a alguns de vocês e que agora torno pública. Reconheço que a barba não faz o filósofo. No entanto, também é verdade que o filósofo não faz a barba.
_“Comedor de hot dog mais rápido do mundo vira heróis nos EUA. Joey Chestnust ficou famoso por ter vencido uma competição de como cachorros quentes.” Fonte:G1_ Citando Bertold Brecht, triste do país que precisa de heróis devoradores de fast-food.
_Uma equipe de pesquisadores desocupados da revista Placar descobriu que os jogadores mais caros da última janela de transferências custaram mais caro que seu peso em ouro. Outra equipe, essa de alquimistas, iniciou suas pesquisas para a transformação de ouro em jogador de futebol.
_Proponho ao Ibope, presidido por Carlos Augusto Montenegro, que faça uma pesquisa de opinião para saber de o Botafogo realmente precisa dele._Até domingo que vem, boa sorte para quem for fazer a prova da PUC.

sábado, 20 de outubro de 2007

Feliz Aniversário!

Amanha o hipóbole faz uma semana de vida.

Vale a pena: exposição Luz da Galáxia comemorativa dos 30 anos da saga Star Wars.Organizada pelo Conselho Jedi do Rio de Janeiro, que completa 10 anos.
Onde: Forte de Copacabana

Morte Silenciosa

Morte silenciosa


O Sol iluminando florestas sem fim
Criando um espectro esverdeado
Levado a todos os lugares pelo vento
(Sereno e constante)
Toda a natureza em harmonia
Sorrisos espontâneos e pensamentos alegres

e dentro de cada um de nós,
a vontade de acreditar que isso é possível
Mas não é...
Tentando entender o motivo dessa autodestruição
Acena cambaleante, com pretensão de naturalidade,
Uma humanidade de dentes podres, decrépita
Lutando pra continuar fingindo
Que ainda há tempo...que tudo vai mudar
Mas não vai...
Todos mantendo uma imagem de felicidade absurda
Sabendo(ou ignorando) que enquanto comem um “shitake”
Famílias inteiras comem lixo, fazem sopas de papelão
Parecendo-lhes natural que haja esse brutal abismo
A perda total da dignidade humana
Filmes sensacionalistas fazendo a população acreditar
Que os truculentos que executam sumariamente são heróis
Burocratas assassinando esperanças de quem não tem nada mais
Artistas alienados semeando alienação e comodismo
A uma juventude que não sabe aonde quer chegar
Não há mais ideal, só interesse

Ontem me disseram que “amanha você ainda vai sonhar”
Hoje é o amanha,
E os sonhos morreram
Se esvaeceram, mudos e aprisionados
Como um soluço contido
Por uma civilização que se julga dona da verdade

Lucas O. Mourão

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Apresentação – Parte 2

Como o Marco já disse, eu sou "a pessoa das quintas-feiras", inaugarando minha participação com o texto abaixo. Mas antes que você possa lê-lo, o Hipóbole traz algumas novidades e é meu dever anunciá-las:
Primeiro, gostaríamos de apresentar os novos colunistas do Hipóbole, que serão, a princípio, os colunistas semanais: Ingrid Torres, Vitor Okendo, Luísa Tolhuizen e Lucas Mourão.
Todos postarão na próxima semana, então não me estenderei muito para não estragar a surpresa.
Entretanto, se você for uma pessoa atenta, notará que há apenas 6 colunistas para 7 dias na semana. E não, não pretendemos chamar mais ninguém para textos semanais. Então, faremos um convite aos nossos... 3 leitores para escreverem textos para o blog. O melhor será postado na quarta-feira de cada semana.

Antes de ler meu texto, por favor, tenha em mente que é tudo uma brincadeira. Eu não sou uma pessoa para ser levada muito a sério. Boa leitura!

Libertinajens, verbos intransitivos e outras coisas modernas (demais para mim)

Não se iluda! Esse texto não fala sobre semanas no ano de 22 ou porquinhos-da-índia como primeira namorada – salvo casos extremos. Ele tem mais a ver com o número 37, Maria Quitéria e minha descoberta, em plena adolescência, da minha própria caretice.
Mas Taine me obriga a, antes de entrar na parte que interessa – leia-se orjias – fazer o reconhecimento do nosso cenário: Maria Quitéria, pós Visconde de Pirajá. O quarteirão do bar propriamente dito é um conflito ideológico constante, quase uma guerra fria permanente. Mas ninguém realmente se importa com isso (de fato, nem eu): as pessoas simplesmente escolhem seu favorito e tomam seus chopps, ignorando o comportamento alheio – exatamente como deveria ser.
Caminhando a favor do vento, sem lenço sem documento, atravessa-se a Vieira Souto e chega-se no quiosque, habitat natural dos sujeitos dessa crônica: um lugar simplório, com cadeiras de plástico vermelhas que ninguém realmente usa e cerveja Itaipava. Nada mais a declarar.

“João amava Teresa, que amava Raimundo... “. Mal sabia Drummond como seu poema estava equivocado. Proponho duas versões alternativas:
João amava Teresa, Maria, Lili...
João amava.
E olha aí! Esbarramos em outro Andrade – o Mário (alguém quer fazer uma piada aqui?).
Mas o nativo emporiano é assim, livre, ou melhor, libertino. Para não perder o caráter de estudo, fui procurar no Houaiss a definição formal dessa autodenominação do emporiano. Não me surpreendi com o resultado:
li.ber.ti.no (adj.) 1. aquele que leva a vida dissoluta, que se entrega imoderadamente aos prazeres do sexo.
Diante disso, nem me dei o trabalho de olhar outras definições.

Com o superego diluído em etanol, a visão turva e a sexalegria atinge o pico. As restrições foram pro buraco. O byronismo predomina – sem a parte do suicídio, é claro. O mundo gira e as pessoas vão rodando. E a noite é uma criança...

Quer um exemplo pratico e denotativo? Imagine-se afim de uma menina. Não há nenhuma necessidade de ser amigo do rei para conquistá-la, mas não espere exclusividade. Aliás, esqueça monogamia. E definição de sexualidade. Libertino que se preza é puro-sangue*, bravo, forte e filho da Morte. Se os problemas de combinatória fossem no Empório, além de ficarem mais “irados”, dariam números bem maiores.

O relógio devasso já não serve mais: os ponteiros multiplicaram-se numa alucinação cambaleante. As memórias vêm à tona como monstros e o senso de realidade bate: “mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução”. Mas a vida continua, aos trancos, barrancos e noitadas: felizmente existe o álcool.
__________________________
*puro-sangue: completamente livre de rótulos sexuais

Genial! Ou não...

Bom, esse será um apêndice permamente dos meus textos, onde colocarei a frase (ou diálogo) mais brilhante da semana. Créditos para a Luísa pelo título.

Aula de Geografia sobre a reforma Rio Cidade na década de 90:
Professor: "Uma das medidas tomadas foi o alargamento da R. São Clemente"
Aluno: "Mas pra quê?"

Obviamente, não irei identificar a pessoa que falou a pérola, então não se sintam envergonhados por falar burradas na minha frente.

domingo, 14 de outubro de 2007

Apresentação

Está lançado o hipóbole conjugada!
Tudo bem, se você está aqui, isso não é exatamente uma novidade, certo? Mas, agora, cabe a mim explicar o que é e por que é esse blog. A Luiza criou, eu explico. Bastante justo...
Fruto de uma conversa dominical como qualquer outra, criada com um ímpeto ímpar, essa página funcionará como meio para seus colaboradores publicarem o que já escrevem, mas não têm onde colocar. Para mim, servirá como substituto da revista em que escrevia, mas que acabou devido à proximidade do fim do ano. Pretendo uma vez por semana apresentar idéias sobre os fatos recentes, criticar quem merecer e divulgar qualquer tipo de material literário que eu tenha produzido, além, é claro, de fazer algumas observações inúteis e comentários babacas.
A equipe do Hipóbole Conjugada por enquanto sou eu e a Luiza, que deverá fazer sua apresentação quinta-feira, podendo ser ampliada logo. Cada um de nós tentará publicar com certa periodicidade, domingos para mim, quintas-feiras para ela.
Como a idéia surgiu hoje, não tinha quase nenhum material pronto. No próximo domingo começo a fazer a minha parte do blog.
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Por hoje deixo apenas o conto que participa do concurso literário para a edição de novembro da revista Piauí, cuja proposta é a produção de um texto com a frase "Os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio”. Uma proposta absurda? Talvez, mas aqui está o resultado...
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Jovem promessa
No meio artístico, Carlos já era famoso desde o período embrionário. Fruto de um descuido da maior violinista brasileira durante a passagem de um celebrado romancista russo pelo país, havia sido abençoado pelos deuses da genética. Essa dádiva, no entanto, trazia uma grande responsabilidade. O som que vinha sem pausa da sala onde a mãe ensaiava era como uma mensagem a lembrá-lo das expectativas que o rondavam. Deveria deixar ao menos uma obra, em qualquer das sete artes, para a eternidade.
Mal aprendera a falar, já tomava aulas de piano com professor particular. Como conhecia o meio, a mãe pôde escolher o melhor para lecionar música a seu filho, mesmo que isso tenha custado à jovem promessa um irmãozinho. A precocidade deu resultados. Sua reprodução de clássicos eruditos não agradava aos colegas, mas impressionava as professoras, o que lhe rendeu o prêmio no concurso de talentos durante todo o ensino fundamental.
Na adolescência tomou gosto pela literatura. Sua habilidade na arte de escrever provocou no jovem uma dicotomia. Era sempre elogiado pelos docentes por vencer concursos literários em nome do colégio enquanto seu alter-ego, diretor da revista de oposição à coordenação, era admirado pelos discentes.
Carlos também era exímio pintor, mas utilizava-se do dom para, aliando-o à criatividade, desenhar charges e tirinhas bem humoradas. Sua mãe, sempre ausente por causa dos intermináveis ensaios, demorou a perceber os rumos que tomava o rapaz. Defensora do principio da arte pela arte, deixou clara a reprovação à arte crítica daquele que, dizia, envergonhava a tradição artística da família.
Esse golpe foi duro para Carlos, já inscrito a essa altura para a faculdade de cinema. Não teve a oportunidade de aventurar-se nas quatro artes que ainda pretendia experimentar. Acabou assim a carreira da maior promessa artística da atual geração. Sua única obra que ficou famosa foi um bilhete de oito palavras: “Os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio”.