segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Ausência

Por muito tempo achei que fosse o não estar
O estar sozinho
O vagar sombrio
Aí percebi que era um bicho que fica dentro do peito da gente
Comendo-nos aos pouquinhos

Achei que fosse o não aparecer
Mas vi que mesmo contigo
Continuava aqui dentro um vazio
Aí constatei que era o estar junto também

Pensei que fosse o teu silêncio
Entretanto quando falavas, não era comigo...
Cogitei até mesmo um duplo sentido
Mas não se encaixou
Porque a ausência foi apenas algo que eu inventei pra te ter como abrigo.

A Vida...

"A vida não vale a pena e a dor de ser vivida"

A vida é triste
Não vale a pena
é tão pequena, tão inútil
por que vivê-la?

A vida é cruel
Nos jogam neste mundo
como se fôssemos meras "coisas"
e não nos ensinam a viver;

A vida é pétrea (já dizia Drummond),
Crava seus dedos de ferro em nós
vai rasgando...nos deixa desidratados
Meros marionetes acabados;

A vida dói
é ferida aberta
é puro amor que não se preza
é cuspe na cara;

A vida é pobre
Cheia de meninos na rua
Cheia de barrigas vazias
e pessoas desempregadas;

A vida é injusta
o pão que é servido na mesa de uns
é o mesmo que falta,
na mesa de outros;

A vida não vive aqui
foi-se embora
deixou abraços e beijos
riu de nós e não perdeu sua hora.

domingo, 4 de novembro de 2007

Telos

No princípio dos tempos, o mundo era claro e vivo. O mar, as flores, o sol, tudo no mundo o coloria alegremente. O dia e a noite revezavam-se assistindo as mais diversas espécies que viviam em harmonia. O alimento e a água existente saciavam a todos; nada atrapalhava os ciclos da natureza.
No primeiro dia, uma espécie se espalhou pela terra. O Homem se multiplicava e, por algum tempo, manteve-se respeitando os outros seres. O Homem era feliz de maneira inofensiva à terra.
Então, no segundo dia, um humano ofendeu outro. E a família do segundo se sentiu desonrada. E a família do primeiro o defendeu. A tribo se dividiu em duas, tendo início a primeira guerra. Os vencedores se sentiram superiores, e fez-se a escravidão. Os líderes da tribo gostaram da experiência e resolveram ofender outra tribo. O Homem passou a lutar por sua terra, e por sua mulher, e por sua honra, e por tudo aquilo pelo que, segundo ele, valia a pena morrer, mas principalmente matar. E até por deus, que teria criado tudo, o Homem lutou.
No terceiro dia, conforme desenvolvia seus métodos de produção, o Homem desejava novos, cada vez mais eficientes. E o Homem criou a máquina. E o Homem disse: haja o Progresso. E as máquinas trouxeram o Progresso. E o homem regozijou-se pelo que havia feito.
O Homem viu que o Progresso era bom e, no quarto dia, continuou sua busca pelo Progresso. E o homem disse: que se faça as trevas. Com as cinzas do carvão e com a fumaça das fábricas fez-se as trevas. E o Homem orgulhou-se por ser o mais inteligente ser sobre a face da terra.
No quinto dia, o Homem pensou: não é bom que o Progresso esteja só. E começou a explorar o petróleo. E o petróleo ajudou o Homem na busca pelo Progresso. E as plataformas espalharam-se. O petróleo estava agora, em todos os cantos da terra, junto ao Progresso.
Vendo o quanto era superior, no sexto dia o Homem resolveu aproveitar-se cada vez mais do que lhe fora dado. E os céus e os mares foram poluídos. E tudo começou a extinguir-se. Conforme avançava o Progresso, a terra ficava mais feia, e vazia, e cinza.No último dia, a obra do Homem estava pronta.
E o Homem descansou sob a terra orgulhoso de tê-la modificado, eternamente.

Rua Dom Gerardo, 68

Ao subir uma última vez os degraus de meu Ateneu
[reflito:
Como percorro em poucos minutos
Os dezesseis lances de escada
A que devotei onze anos?

-Vão-se as horas de espera
Na fila do primeiro andar.
E os empalhados do segundo,
Os preços a que me acostumei,
As aulas de flauta... TA-Á.
-Vão-se aqueles almoços
Realizados em horário notório
No bandejão que virou couve-flor
(Enjoei-me de tanto feijão)
As horas no refeitório...
-Vão-se o rala-coco e o campão
Todas aquelas partidas
Jogadas desde que chegamos
Ao pátio do quinto andar.
Os anos de ginásio, de calças cumpridas.
-Vão-se as aulas que matávamos
No sexto andar, na enfermaria
E a oitava série negra
Que vivi no sétimo andar
(Preto, guitarra, anarquia).
-E agora o oitavo andar
De onde eu vejo a Baía.
Findo o ensino médio,
Vou-me eu embora
Na esperança de voltar algum dia.

Vão-se as imagens, os prazeres,
Vai-se cada peculiaridade

Ficam os Valores aprendidos
Ficam as Amizades
Fica a Saudade Hipócrita.

Três semanas que passam

_Políticos são todos iguais?
Para algumas pessoas, as eleições são um momento de mudança, de esperança, de separar aquilo que é bom do que é podre na política. Se você é uma dessas pessoas, ainda bem que você não mora na Polônia (a menos que você more na Polônia, saiba ler português e freqüente esse blog, o que é pouco provável).
Duas semanas atrás, no dia 21 de outubro, os poloneses escolheram seus representantes para o legislativo. O antigo primeiro-ministro, Jaroslaw Kaczynski, do partido de direita PiS, viu sua legenda ser derrotada pela Plataforma Cívica, do político de centro-direita Donald Tusk, apoiada pelo ex-líder do Movimento Solidariedade, Lech Walesa.
Até aí tudo bem, as mudanças parecem ter ocorrido e tudo mais. No entanto, dizem que um registro fotográfico vale mais que os escritos e o processo eleitoral foi marcado pela seguinte foto, em que o ex-primeiro ministro cumprimenta o atual presidente, seu irmão gêmeo. Tirem suas próprias conclusões.
_Em resposta ao trecho que me toca (metaforicamente) no texto do Kendo da última terça-feira, gostaria de completá-lo com uma passagem relativa a nossa vida na oitava-série. Ocorreu no dia 10 de Novembro de 2004, seu aniversário; Seu pai nos levaria para o Hot Zone. Mas, pensei, o Vitor não disse diversas vezes que seu pai não era outro senão o próprio diabo? Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o motorista do carro não era o capeta, o tinhoso, o das sete peles, ou outra nomenclatura que ele tenha usado, mas um senhor com uma profissão honesta, a da urologia...
_Àqueles que estão sem fazer nada na internet esse domingo, sugiro o curta O Paradoxo da Espera do Ônibus, um dos melhores da última Maratona Odeon. Um texto que também recomendo é a crônica Ter ou não ter namorada, de Artur da Távola, que pode ser encontrado em qualquer blog (que dirá que é de Carlos Drummond) se você procurar no google.
_Até semana que vem, boa sorte aos que farão prova da UFRJ no domingo.

sábado, 3 de novembro de 2007

Trova Épica de Verão


Trova Épica de Verão



Estava tudo acertado.Tudo planejado.Fizera o último telefonema, escrevera seu testamento, já havia fechado a conta no Banco (a parte mais demorada, que fez o compromisso ser adiado em quase cinco meses), declara seus pensamentos mais ocultos às pessoas mais inconvenientes, faltara o trabalho para passear sem rumo.Mas mesmo assim era tão difícil...Olhava a dose de cianureto.Olhava para o chão.Como pude...Deixar as coisas chegarem a esse ponto...A derrota lhe era certa: não importava o seu esforço.Mesmo que a realidade não fosse penosa, não escapava da monotonia.Pronto!Decidido!Olhar só mais uma vez pra esse céu.
Mas que surpresa!As árvores do vale...Era simplesmente maravilhoso.As folhas estavam douradas, com uma beleza nunca antes vista.Nesse instante, seus olhos, há muito vendados, pela grossa camada de desesperanças cotidianas, voltaram a enxergar.Olhou ao seu redor...Recordou-se de momentos da infância.Olhou ao redor novamente...E tudo fez sentido.Subitamente se lembrou de suas idéias, suas buscas, e do ardor, da paixão pelo que fazia.Percebeu que há muito seu trabalho era esvaziado de emoção.Não se esforçava por achar os elogios suficientes...Nunca foram, nunca seriam.De que lhe adiantara estudar com afinco, se não sabia onde queria chegar?!Num só movimento jogou fora aquela droga de veneno, e já se sentia mais calmo.Plena placidez de alma.E logo veio à sua mente a seqüência de notas de uma melodia.Era uma trova!Tão única e inexplicável quanto cada uma de todas aquelas folhas, de todo aquele verde transformado em dourado! Correu para o quarto, montou a máquina.Era necessário captar aquele instante que salvara sua vida.Preparou tudo, dessa vez com menos teoria, e mais amor, e tirou a foto.












(Ipês florescendo, 02/11/07)
foto:Lucas Mourão


Era o inicio de um novo tempo.Veio à sua mente uma frase que Neil Gaiman dissera em uma entrevista: “Não se trata de acreditar que dragões existem, se trata de acreditar que se eles existissem haveria homens capazes de derrota-los”.Pegou a mochila, abriu a porta, e partiu em busca de conhecimento.


quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Soneto à uma gauche

Brilhas dentro da rotina do turbilhão

Diferente, incompatível, inconcebível

Ainda sim, singular e indescritível

Um tipo heptafacetado de perfeição



Vê-se os rótulos que lhe aprisionam, eternos

Vê-se as máscaras firmemente fincadas

O rosto jovem imune a abalos externos

E o coração amargo imune a flechadas



Por um instante, a guarda jaz abaixada

A luz cruel confronta tua transparência

E surge a faísca da autenticidade



Mas vá agora e viva descompromissada!

Porque teus olhos afirmam com veemência:

És só uma criança que busca a verdade

Tons de Cinza

Uma manhã de dia nublado:

'Olha o tempo fechado'

'Nossa, verdade, está feio!'

Pausei e pus-me em devaneio



Lembrei-me do céu anil

Simples

Uniforme

Monótono

Sorri 'Viva as nuances, viva a diversidade'

Genial! Ou não... (3ª edição)

Olha só, mais uma semana que passa (hum, acho que já ouvi isso em algum lugar...) e o blog está ficando cada vez mais divertido, destaque para o texto do nosso colunista convidado, João Bernardo, e os últimos posts de Vitor Okendo. Já eu não seguirei a linha e postarei dois poemas enfadonhos e sérios. Blergh, como eu sou monótona.
Já que ninguém falou nada, cabe a mim apresentar nosso motto: "Nil est dictus facilius", literalmente "Nada é mais fácil que falar". Achamos que combinava, o que vocês achavam?
Amanhã, nossa colunista de sexta-feira, Luísa Tolhuizen, vai fazer sua estréia e estamos todos ansiosos para ler algo dela. Por favor, sejam bonzinhos e não assustem a menina. Nha, tudo bem, esquece, façam o que quiser.

Como sempre, meu vômito intelectual semanal (olha aí tua expressão favorita, Marco) inclui a frase da semana, recomendações e uma breve troca de idéias sobre algo, para quando vocês tiverem um tempo de ócio pra matar.

Nossa, entrei no Google ontem e me deparei com mais um daqueles logos de feriados (o de Halloween) e pensei o que sempre penso 'Que coisa legal'. Aliás, a Google tem uma boa coleção de logos comemorativos que eu particularmente acho maravilhosa, com datas incluindo o aniversário do Munch (12 de dezembro), do meu para sempre amado Sir Arthur Conan Doyle (que, previsivelmente, é tão geminiano quanto eu; 22 de maio) e do Louis Braille (4 de janeiro).
Aliás, falando em Conan Doyle, acho justo eu, uma pessoa que já leu toda coleção do investigador da 221B, Baker Street, escrever algo sobre os livros.
Primeiro de tudo, espero que ninguém vá me dizer que o Poirot ou a Miss Marple, por mais que eu goste dela, é melhor que o Holmes. Não consigo imaginar nenhum dos dois solucionando casos como O Cão dos Baskervilles ou Um Estudo em Vermelho ou mesmo Signo dos Quatro.
Todos são romances policiais lindos, de tirar o chapéu. Mas Doyle também tem contos menores que são simplesmente emocionantes, como A Faixa Manchada ou O Pé-Do-Diabo.
Aliás, o livro que reúne essas crônicas que tenho é quase épico. Comprei-o num sebo por 3 libras – é um livro extremamente bem tratado, de capa dura, que ao olhar descuidado, parecerá uma enciclopédia parruda. As letras douradas descrevem "Great Works of Sir Arthur Conan Doyle", junto com uns floreios que margeam a escrita. Ao ser aberto, o livro mostra suas páginas ocreadas e exala aquele cheiro característico da antigüidade. Estou até começando a achar que ele merece um poema. Mas chega, já me estendi demais.

Frase da semana:
"Qual é hoje," perguntei "cocaína ou morfina?" Ele desviou languidamente os olhos do velho volume preto que tinha aberto.
"É cocaína" disse "Uma soluçao de sete por-cento. Quer um pouco?"
(Sherlock Holmes, O Signo dos Quatro; frase original em http://en.wikiquote.org/wiki/Sherlock_Holmes, abaixo de Sign of Four)

Recomendações:

Bom, minha primeira é tão específica quanto a prova de Matemática que faço hoje. Aproveite o tempo e depois de ler a verdade dominical, i.e. a coluna do Marco, para pegar a Revista de domingo do jornal O Globo e ler a coluna da Martha Medeiros. Aliás, quero declarar publicamente minha paixão pela escrita dessa mulher, porque ela é simplesmente genial.

A outra dá menos trabalho, porque é daqui mesmo: o texto "A Quase-Galinha", de Lucas O. Mourão que, apesar de não ser metáfora nem fábula, é uma leitura agradável, descontraída e de uma certa forma provocativa: http://hipoboleconjugada.blogspot.com/2007/10/quase-galinha.html

A última da semana é para pessoas como eu, que não tem nada para fazer e são tirinhas! Sim, as últimas cinco tirinhas do Garfield estão geniais e homenageando o Halloween de ontem, então, divirtam-se:
http://www.garfield.com/comics/comics_archives_strip.html?2007-ga071030
Aliás, o site do Garfield em si é divertido, então aproveitem pra dar uma volta.

Até a próxima semana!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Quem me visitou? Eu?

De que serve um contador de visitas de um site? Deveria ser para que o dono do mesmo possa saber sua aceitação no universo da internet, não é mesmo?
Nessa mesma linha de raciocínio, poderíamos prever uma maior entrada do dono do site no próprio site para saber se ele é visitado com alguma freqüência.
Por causa disso alguém pensou: "Se eu vou entrar no site pra saber se alguém entrou nele, então eu terei sido uma pessoa que entrou no site! Assim, como posso saber o número de visitantes se eu acabo sendo um visitante, mas um visitante que não serve para meus cálculos de freqüência de visitantes?
Deste modo, a pessoa acima citada criou o contador de visitas de visitantes únicos para que possa entrar no próprio site sem alterar a visitação dos visitantes esperados.
Entretanto, não só de pessoas como o nosso amigo inventor que o mundo é feito e, por isso, ainda existem pessoas que usam o contador de visitas original no qual o visitante dono do site é contado como um visitante do site e cada vez que ele abre sua página tornando-se um novo visitante para o não muito inteligente contador de visitas.
Qual será o motivo para as pessoas não usarem a invenção do inventor que não queria ser contado como visitante do próprio site (afinal, ninguém visita a própria casa)? Será um modo de manipular os verdadeiros visitantes fingindo o site ser visitado por mais gente do que realmente é? Será que isso funciona?
A meu ver, poderíamos ter duas vertentes para responder a última pergunta: a primeira seria que as pessoas ficariam impressionadas pelo grande número de visitantes ao site que está visitando no momento e com isso, divulgá-lo-ia a mais pessoas, aumentando consideravelmente o número de visitantes verdadeiros. A segunda resposta seria que as pessoas são minimamente inteligentes e perceberiam que o contador de visita registra visitantes falsos, ou seja, o(s) dono(s) do site e, com isso diminuiriam seu gosto por tudo que está presente na tal página da internet com contador dos visitantes falsos.
Considerando apenas a primeira resposta, poderíamos dizer que essa é uma excelente estratégia que funciona melhor que um mapa da cidade com alfinetes coloridos para apontar alvos de possíveis leitores do site que procura leitores. No entanto, a estratégia tem um problema: Como o dono do site saberá o número real de visitantes novos que entrarão no site por causa da estratégia se o contador não conta o número real? Uma possível solução seria instalar um outro contador, sendo este outro um contador de visitantes verdadeiros.
Agora, com um segundo contador, o dono do site que quer que seus visitantes sejam contados pode saber quantas pessoas o visitam, mas como toda tese gera uma antítese, que juntas geram uma síntese, vemos que o segundo contador anularia a função do primeiro, já que as pessoas perceberiam que estão sendo enganadas e a farsa seria descoberta.
Depois de todo esse monólogo repetitivo, eu diria que tenho uma real solução para quem quer contar os visitantes do próprio site sem querer enganá-los com falsos visitantes. Esta solução é tão boa que poderia dizer que é uma síntese que dispensa qualquer tipo de antítese: Use um contador de visitas que marca cada visitante como apenas um visitante, mesmo que este entre seguidas vezes no site para parecer mais de uma pessoa.

Uma homenagem a Hipóbole Conjugada (e seu contador falso)

João Bernardo (do Blog Manifesto Metalúrgico)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Hipóbole se vendeu para o Grande Capital.

Na verdade, nem era tão grande assim, tava mais pra um médio capital... Bom, pra mim já é o suficiente, nunca me apeguei muito a valores ideológicos mesmo.
E isso tudo atendendo à pedidos, pois em apenas duas semanas de existência o Hipóbole recebeu mais de 400 e-mails pedindo produtos baratos para satisfazer o vazio na vida de alguns leitores. E qual a melhor maneira de preencher aquele vazio existencial do que gastando em coisas estúpidas?!
Pensando nisso nós, flagelos do sistema capitalista, vendemos muitas idéias dos diversos artigos do blog para uma empresa impiedosa fazer camisas! Isso mesmo, camisas! Vale a pena lembrar que 20% do lucro obtido na venda das camisas vai para uma instituição que ajuda as crianças que as confeccionaram.

Sem mais delongas no link logo abaixo estão as camisas originais do Hipóbole!(que não foram feitas em 5 minutos no paint, como espalham alguns boatos)

Camisas Yeah!

E é claro, com opção da cor preta para os pseudo-grunges e afins.

Longa vida ao Hipóbole $$!

Sobre Fluxo de Consciência(e algumas passagens sobre a oitava série).

Fiquei devendo um texto infame e infantil, e aqui o apresento com prazer, e dedicatórias a uma certa hóspede belo-horizontina, que me inspirou em parte a faze-lo com a seguinte frase: ''Havendo opção entre o comentário infantil e idiota e o sério e profundo, SEMPRE a primeira opção.''
Fluxo de Consciência. Sabe o que é? É uma espécie de técnica que analistas usam pra dizer que você é maluco. Também é uma técnica bastante interessante de escrita, registrada na obra de Clarice Lispector. Como funciona? Pense em um assunto. Vou te ajudar. Química. Agora é só falar tudo que vem a cabeça sobre tal assunto. Não precisa praticar isso, não agora, até onde eu sei não é saudável ficar falando sozinho.
Prova, 55, metano, etano, etil, carbono, bastão, aroma.
Isso foi o que veio a minha cabeça. É claro que Química é um assunto ligeiramente banal, e não virão muitos pensamentos mais complexos que esses citados, mas agora eu proponho outro assunto.
Oitava Série.
Babaquice. Época negra. Ridículo. Camisas pretas.14 anos.
Seus pensamentos provavelmente foram próximos a isso. Se não, pense mais a fundo.A oitava série é uma época ruim para todos. Todo mundo é babaca na oitava série. Tomando meu exemplo, por que eu sou assim, auto-centrado mesmo: Na oitava série eu era um daqueles metaleiros malvadões, camisa preta, ouvindo bandas pesadas, ouvia Metallica e achava que era a coisa mais brutal. Dava tudo pra ter algum pingente de pentagrama, falava que eu era filho de satã e queria queimar igrejas. Hoje em dia eu sou cristão.
Tá meu caso é extremo, mas citemos algum outro, também sou assim, gosto de difamar, e esse eu faço questão de cantar o santo. Marco Sá. O cara de dois posts abaixo se lembra? Conto do diplomata? Poema sujo? Pois é. Eu tive o inenarrável prazer de conhecê-lo durante o período oitaviano. Ele não era esse intelectual pernóico que alegra nossos domingos. Longe disso. Era um anarco-punk sindicalista, seja lá o que fosse isso. Só ouvia as bandas mais undergrounds que desafiavam o sistema, com aquele característico ‘’A’’ da anarquia, e é claro, seguindo o padrão das camisas pretas. Pois é, o nome disso é oitava série.
Passei por uma pesquisa intensiva essa semana para saber sobre o tal período, e se minha tese estava certa, segue aqui alguns trechos de entrevistas que eu fiz e, até onde a memória vai, retratadas exatamente da maneira com que foram ditas.
‘’Putz! Oitava série! Eu era um babaca! Era meio pseudo-grunge saca? Camisa de flanela, muito nirvana...’’
’’Fiquei tão traumatizado que hoje em dia nem passo mais na frente de uma sala de oitava.’’
’’Eu ficava pesquisando sobre bandas underground, quanto mais tosco melhor, só vinha lixo, eu achava o máximo hahaha.’’
Alguém pode questionar: ‘’Mas Vitor! As pessoas são assim por que 14 anos é uma idade propensa a esses distúrbios de comportamento e a essa imaturidade!’’. Não. Não. Não! Tá errado! É assim por que é a oitava série! Tem toda uma mística relacionada à série. Alguém pode reprovar 4 vezes a oitava série, cursa-la com 18 anos, que vai continuar a mesma pessoa de 4 anos atrás. Mais exemplos para a tese:
A garota dessa foto: provavelmnete ela tirou essa foto na oitava série. O que será dela hoje? Provavelmente cursando história, ou direito, quer seguir a carreira acadêmica, não sei.
Esse grupo de jovens provavelmente juntaram essa banda para tocarem no sarau de formatura da oitava série. Imagino que hoje em dia o da direita seja graduado em ciências atuariais, o do meio um pai honesto de família, com dois filhos saudáveis, o cabeludo sombrio da esquerda é veterinário, aposto.
Já estou me estendendo nesse assunto ridículo a muito tempo, só tenho o intuito de provar minha tese. Oitava série é o período mais negro de todos. Mas antes de fechar, queria lembrar algo curioso. Ano passado, foi aprovada uma lei que cria uma nova série, a nona, e para não atrasar a vida dos alunos, todos pularam uma série para se adaptar ao novo sistema. Isso mesmo, o que estavam na sétima, que deveriam ir para a oitava, pularam direto para a nona. Pularam. A Época negra. O momento ruim. Sortudos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Pano Velho

Esse pano velho
Tantas vezes remendado
heterogêneo, um pouco esgarçado
Esse pano já sem cor, sem vida;
Neste pano que veste duas almas
estão inscrustados pequenos diamantes
pequenas sobras de felicidade
alguns vestígios de trsiteza...
Esse pano
que não se sabe ao certo o que é:
Uma blusa, um casaco, um vestido;
Um pano informe...
Apenas velho. Um pouco encardido;
Pano imaterial, insólito, reluzente
Pano que depois de algum tempo
foi esquecido, perdeu sua força
Esse torto a
m
o
r
Que não veste, não cobra, não completa
Se limita. Existe.

Justificativa...

Na verdade esse perágrafo é só para aqueles que esperavam algo meu óntem(assim como fazem com todos os colunistas). Tive um surto e apaguei durante 9hs após a chegada do colégio na segunda...enfim...o texto estava pronto mas não o enviei...na verdade é um humilde poema que escrevi numa das "rodas-vivas" da minha vida. Espero compartilhar com todos esta experiência e que cada um atribua ao mesmo sua própria interpretação. Afinal, pra que serve a Literatura?

domingo, 28 de outubro de 2007

A entrevista (do anedotário diplomático)

Diplomata em início de carreira, havia sido escalado para sua primeira representação em um consulado de relativa importância, o de Roterdã. Logo após a apresentação de credenciais, foi convidado a dar uma entrevista a um dos mais importantes jornais da cidade, como o definiu a representante do periódico. Talvez por inexperiência, talvez na tentativa de mostrar polidez, logo aceitou, sendo marcado o encontro para o dia seguinte em seu escritório.
Perguntou-se o porquê de um jornal de renome demonstrar interesse em um terceiro-secretário recém-chegado ao país. Uma rápida pesquisa, no entanto, teria o feito descobrir a fama de menos escrupuloso tablóide do país que aquele possuía. Já os editores do folhetim, não se importavam com o fato de não ser importante o entrevistado. “Apresentaremos ele como cônsul brasileiro. Vocês sabem que diplomata é sempre visto como importante; e nossos leitores adoram matérias sobre países como o Brasil” foi o argumento utilizado pela idealizadora da matéria para garantir que fosse aprovada.
Na data marcada, chegou a repórter à casa do brasileiro, com um atraso de quarenta minutos. “Não estou na Suíça ou na Inglaterra, era de se esperar...”, pensou. Estranhou, é verdade, o rosto amassado de quem levanta da cama e a maneira largada de se vestir da jovem repórter, “mas e daí? Jornalistas são assim mesmo, e os holandeses são famosos por serem liberais”. Aperto de mãos, bloco em punho, máquina gravando. Poderia ter início a entrevista.
Seguiu-se uma série de perguntas a respeito do país do entrevistado. As praias, o futebol, a caipirinha, o povo, as mulheres, enfim, vários eram os assuntos, mesmo que nenhum diretamente relacionado a política internacional. Questionou-se sobre a razão de tudo aquilo, afinal não poderia falar sobre os planos do Brasil para a região ou apresentar o festival de cultura brasileira que viria a ocorrer na semana seguinte.
Em seguida, houve perguntas sobre a prática da diplomacia. Não que fossem relevantes, ou ao menos interessantes; na verdade pareciam ser feitas para a coluna social. Mas, pensando bem, não tratavam de estereótipos de seu país-natal. A certa altura defrontou-se com uma pergunta que mudaria a história daquela entrevista.
-Senhor cônsul-ela insistia em chamá-lo assim -como você lida com aqueles diplomatas que insistem em gastar seu tempo com intermináveis conversas?
-Interessante pergunta... Quando a fizeram a Bismarck, ele disse que pedia a um funcionário que interrompesse dizendo que sua mulher tinha algo importante a dizer.
“Uma boa resposta”, orgulhou-se. E ainda deu-lhe uma idéia. A isso procederam diversas perguntas sobre os Países Baixos. Deveria ter melhor se preparado antes de assumir o cargo. De qualquer maneira, não havia como estar preparado para a pergunta seguinte, que viria a ser a última.
-O que o senhor acha sobre os famosos prostíbulos holandeses?
-Há prostíbulos por aqui?- perguntou assustado.
Tão desagradável situação viria a ser interrompida por uma secretária do consulado, que vinha lembrar de uma importante reunião. Incomodada pela repentina interrupção, a jornalista se despediu com a sensação de que havia sido enganada.No dia seguinte, todas as bancas de jornal holandesas avisavam aos que passavam, em letras garrafais: RECÉM-CHEGADO, CÔNSUL BRASILEIRO PERGUNTA SOBRE OS PROSTÍBULOS HOLANDESES.

Nizza

(Em resposta ao desafio proposto pela Luíza na quinta-feira, não vou escrever um texto longo como ela fez; apenas postarei meu poema-resposta com métrica e rimas)

À vista de tais três listras que, expostas,
Estavam ante a vitrine transluzente,
O prazer daqueles que encontram respostas
Foi o que senti e também toda gente.

Teria o feito enamorado artesão?
Ou máquinas de uma linha de montagem?
Um argentino, que pr’a garantir o seu pão,
Trabalha pr'o burguês que tira vantagem.

E o verde do pano lembrava a floresta,
O que não fazia, no entanto, sua sola
Cuja borracha era, sabemos, sintética.

Tão belas costuras, com padrão cosidas.
Perfeita és a linha que envolve tal obra
De arte que vejo, meus tênis Adidas

Duas semanas que passam

_Já mais que uma vez perguntaram o que significa hipóbole. Até semana passada eu também não sabia, era só um neologismo nosso, mas descobriram um significado para ela: Refutação antecipada de objeções, sinônimo de silepse (créditos a Antônio Sá). Em nossa concepção, hipóbole também era uma figura de linguagem, mas consistia numa variação de hipérbole em que o exagero é negativo.
_Saúdo nosso mais novo concorrente, o Manifesto Metalúrgico. Desejo boa sorte a eles com suas estratégias para roubar nossos leitores, seus mapas e seus alfinetes coloridos. Um blog de e para pedreiros, como eles mesmos dizem. Espero desde já sua série de poesia concreta.
_Por que não levam essa tal de Cow Parade para a Índia? Afinal, já há muito não ocorre um festival de arte sacra por lá.
_ Até mais, e boa sorte aos que fazem PUC quinta-feira. Preparem-se, pois semana que vem o Hipóbole Conjugada estreará algo inédito em matéria de blogs.

sábado, 27 de outubro de 2007

A Quase-galinha

A Quase-galinha



Tinha a memória curta.Vivia, disso sabia.Mas,… o que era mesmo que ela sabia?…Se esquecia tão rápido,talvez por isso não aprendesse...Mas de que importa a ela saber das verdades (ou mentiras) do mundo?Afinal, está aprisionada.Seu campo de visão é limitado,sua comida é seca e insossa,sua água tem gosto de cloro,sua percepção é confusa.Mas nada disso a faz sofrer.
Quem dera todos nós pudéssemos aprender a ser gratos pelo que temos, pacientes e persistentes como ela.Se você lê isso em uma tela de computador, infelizmente, está minimamente anestesiado.Dificilmente reflete sobre o valor desse privilégio, e de tantos outros.Se você não se sente grato pelo que sua liberdade lhe dá acesso, não possuí dimensão dos abismos de que foi poupado.
Mas voltemos a ela.Era anômala.Causava estranhamento, mas nem por isso era infeliz.Uma Quase-galinha.Nem grande demais, a ponto de ter o volume de uma galinha, nem pequena de menos, para ter o corpo de uma sabiá.O dono garantia se tratar de uma sabiá saudável, e por isso Geraldo a comprou.Mas quando chegou em casa: a gaiola era pequena de mais.Mas que se há de fazer?Ela continuou habitando a mesma gaiola,por dias e noites.As opções eram limitadas:comer, beber água, olhar pra um lado e pro outro,dar dois passos, quase-abrir as asas, dormir. “E no dia seguinte?” Mas que dia seguinte o quê?Não se lembra que ela não se lembra?Nunca havia dia seguinte.Era sempre o agora.Talvez por isso sofresse menos, mas só talvez...
Se fosse humana ia começar a se incomodar com as gorduras que se acumulavam, devido à sua precária atividade física.Mas era uma Quase-galinha, e nada a incomodava.Não percebia que crescia a cada dia que passava, e seus movimentos eram cada vez mais limitados.Era sempre o agora: “Oh, que lindo verde à minha frente, que lindo azul”. E 2 segundos depois: “Oh, que lindo verde à minha frente, que lindo azul”.Existia.E por ser única, tinha a sua beleza aos que a observavam.
Mas um dia...Por descuido o dono deixou a trava da portinhola da gaiola aberta.Um sopro de vento, e a liberdade sugava com seus tentáculos a Quase-galinha.Saiu.Sem ser vista ainda por cima!Voou para o galho mais próximo, e ficou fazendo o que sabia fazer: nada.O dono chegou, ficou aflito.Começou a caçada pela nossa heroína.
Inacreditável!Quase-galinha 1 X 0 Geraldo .
Ficou abatido pelo cansaço, desistiu.Como voava para um pássaro tão gordo.E ela voltou ao galho.Parada.Parada.Parada.Parada.Parada.“O que será aquela caixa de metal vazada?” Parada.Parada.Parada “Quem é aquele homem ofegante”.Parada. “Fome” Parada.Parada.Parada.Parada. “Hum!Comida na caixa vazada!” Voou de volta.Geraldo correu, conseguiu trancá-la.E ela? Nem teve tempo de se lamentar,esqueceu.Estava era feliz em saciar sua fome.
Talvez o leitor esteja triste pela Quase-galinha.Mas talvez a liberdade fosse grandiosa de mais para ela.Se servir de consolo, pense que ela já esqueceu.


Lucas O. Mourão

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Duelo Literário

A uns dias atrás, travei uma disputa com o núcleo modernista-babaca do blog, ao discutir sobre o parnasianismo. Como qualquer modernista de 1ª geração, cuspiu no parnasianismo de forma inaceitável, pelo menos a meu ver. Malditos pseudo-pensadores que redupiam tudo que veio antes, sem reconhecer seu mérito e sua importância. A partir daí, formou-se uma paz armada: métrica ou verso livre? Rimas ou versos brancos? Cotidiano ou arte sobre a arte?
Obviamente, não pude deixar o humor de lado e acabei exagerando um pouco, falando que a inveja que ele sentia de parnasianos e neo-parnasianos era fruto de falta de mulher (opa, acho que isso me deixa em uma situação complicada...) e que por isso deveria se utilizar de insultos para se sentir superior – esse sentimento é devastador e não leva a nada, passe logo para a 2ª geração, meu caro.
Decidimos isso com um desafio para cada um: desafiei-o a utilizar o formato de soneto, métrica e rimas, com temática livre; e obviamente, recebi em troca o mesmo desafio, só que invertido – tema parnasiano e versos livres. Dia seguinte, encontro-o com um belo sorriso sarcástico estampado, e me contas sua idéia. Frente à colocação, eis minha resposta (que obteve ajuda do Kendo, obrigada, menino!):
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Minutos Modernosos

A Alberto de Oliveira

Sento na mesa, pena na mão
Idéias vem, idéias vão
Nenhuma fixa no papel
Desisto
Esse negócio de escrever é mais difícil que parece

Associação Livre

Verde, vermelho, óculos
Olho, inveja, perversidade, desvio
Bifurcação, sinal, hieróglifo

Pirâmides, escravos, 1888, ouro
Inconfidência mineira, baiana, carioca
Idiota, infame, infantil, fragilizado

Frágil, fadiga, cansaço, preguiça, Macunaíma
Cocaína, hum... citosina
Biologia, Ana Maria, Mariana, hum... Manuel
Mário, Carlos, Raimundo, solução, problema

- E aí, Dr. Freud, o que o senhor me diz?

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Créditos para D. Juliana (Jota, como ela mesmo prefere) que me deu a palavra de início, verde