Desculpem-me, caros senhores leitores, mas por motivos de crise, não postarei nada além desse mísero texto que produzi no fim de semana. Nada mesmo.
Engraçado como as expectativas mudam um olhar. Fiz, hoje, domingo 11, assim como metade do Rio de Janeiro, mais uma prova de vestibular, longa e enfadonha. Acordei com sono pendente, parcialmente irritada com o mundo, fiz aquele famoso check-up, tomei um copo de leite e fui.
Para ser sincera, nunca objetivei a UFRJ, o pensamento sequer cruzara minha cabeça – nem em delírios profundos. Qual não foi minha surpresa em constatar a mudança radical do meu ponto de vista ao cruzar os gloriosos portões do campus da Praia Vermelha.
Prédios altos e majestosos marcavam a melhor da arquitetura neo-colonial, romanceados pelo jardim cuidadosamente mal cuidado, com aquela personalidade rebelde. O cenário remetia-me aos tempos da Rua de Matacavalos, o sobrado de Carolina – cave canem.
O mundo de sépia e da nostalgia, porém, passou ao Realismo mais que rapidamente quando entrei num dos prédios – a faculdade de educação, por mais irônico que isso soe. Por mais que o véu da antigüidade estivesse me seduzindo, não pude deixar de notar os maus tratos desmerecidos do local e sua adaptação grosseira ao século XX – lâmpadas fluorescentes esdrúxulas e meio quadro branco mal apagado, alem das decadentes carteiras de madeira podre.
A fascinação se fora; amaldiçoei o poder público pela heresia.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Memórias Póstumas da Presa Fácil
Estava em um clube do centro. Ouvia os ruídos em volta, sentia o forte odor de bebida misturado com fedor de colônias baratas. Ria das piadas infames e me divertia na mesa de sinuca. As luzes indiretas e a fumaça dos cigarros davam um ar noir ao bar. Era uma noite como qualquer outra.
De longe, avistei uma mulher de longos olhares que assoprava a fumaça lentamente. Tinha cabelos negros de brilho azulado, pele de cor marfim colorida e olhos de colorido roxo. Tentadora. Encarava-me como um predador que olhava para sua presa. Tentadora. Como uma mosca que se aproxima da luz, dirigi-me até ela inconscientemente. Simplesmente me atraía. Quando me dei conta, já estava soltando qualquer cantada e risadas fáceis. Mas não conseguia escutar uma palavra que dissesse. Apenas me concentrava nos lábios que tão carinhosamente buscavam o cigarro e no som abafado da música. Ofereci um drink que, nem um pouco surpreendentemente, aceitou. Podia ver o brilho em seu olhar, o sorriso decorando seu rosto, a procura pela satisfação. Sabia que já era jogo ganho. Essa seria uma noite como qualquer outra.
Convidei-a para dançar e não tardou para estarmos aos beijos. Quando beijava, beijava com força e com raiva. Como se fosse me comer. Podia sentia o calor de nossos corpos abraçados. Beijava-me como se fosse me engolir. Sua boca tinha gosto de tabaco, mas suas mãos eram finas e delicadas. Os dedos longos traçavam seu caminho na superfície do meu rosto e no emaranhado de meus cabelos. Sabia que era jogo ganho e levei-a para o motel.
No caminho, resolvi tomar o controle. Cada centímetro de pele exposta me dava uma sensação de fervor. Não podia parar de notar no seu decote, que tão facilmente chegava ao alcance de meus olhos. Enquanto dirigia, entoava palavras e histórias que a divertia. Nunca tive dificuldades com mulheres. Dê-lhes o luxo da beleza, faça-as achar que possuem a vantagem do controle, inebrie-as com a desinibição do álcool e domine-as com o prazer do sexo. Incomodava-me, somente, as infindáveis tragadas. Não pelo cigarro em si – não, não possuía nenhum efeito em mim-, mas pelo molde que dava aos seus lábios. Disse que não me importaria mais tarde enquanto subia sua mão vagarosamente pela minha coxa. O efeito foi imediato: podia sentir o fervor nas partes mais íntimas e o desejo na flor da pele.
Quando chegamos, impressionou-me a ferocidade com a qual me despia. Seu corpo não passava de um vulto na escuridão. Tocava-a, mas não a sentia. Sua superfície estava molhada de suor frio. Seus gestos eram ensaiados e frios. Mas seu corpo expelia um calor tão intenso. Depois, os beijos viraram mordidas e os toques, arranhões. Se antes se movimentava brutalmente, como um animal que se soltara de sua jaula, depois passava a mover-se lentamente na velocidade de suas tragadas. Se em determinado momento parecia calculista e caprichosa, no outro, soltava faíscas pelos olhos raivosos. Virara uma dança, onde mudávamos de posição como quem muda de ritmo. Ela conduzia e eu fazia meu melhor para acompanhá-la. Transformou-me em um virgem, usou-me como bem lhe entendeu para somente gozar do meu prazer. Arrancou em cada suspiro e em cada gemido todas as minhas energias. Extasiado, fui dormir.
Acordei com um clique. De pé, já vestida com seu longo sobretudo e luvas pretas, dava as costas para mim. Podia sentir sua respiração pesada. Levantou a cabeça enquanto preparava a arma. Puxou seus cabelos para trás e olhou-me pelo canto do olho. Seu sorriso era inexplicável. Sua expressão era orgástica e seu olhar passou a ser gélido. Era uma besta feroz. Uma besta de calibre e silenciador. O cano negro de sua arma arrancou toda a cor do meu rosto. Já não conseguia mais pensar. Fui tomado por um desespero e por uma sensação de impotência desumana. Era a carniça e só agora tinha tomado consciência disso. Fui vítima de uma deusa com fetiches macabros. Femme Fatale. Implorava pela minha vida enquanto me acuava como um cachorro assustado.
De repente, o estouro abafado. Não houve túnel. Não houve luz. Nem céu nem inferno. Havia somente nós três: eu, o monstro e a minha insignificância.
De longe, avistei uma mulher de longos olhares que assoprava a fumaça lentamente. Tinha cabelos negros de brilho azulado, pele de cor marfim colorida e olhos de colorido roxo. Tentadora. Encarava-me como um predador que olhava para sua presa. Tentadora. Como uma mosca que se aproxima da luz, dirigi-me até ela inconscientemente. Simplesmente me atraía. Quando me dei conta, já estava soltando qualquer cantada e risadas fáceis. Mas não conseguia escutar uma palavra que dissesse. Apenas me concentrava nos lábios que tão carinhosamente buscavam o cigarro e no som abafado da música. Ofereci um drink que, nem um pouco surpreendentemente, aceitou. Podia ver o brilho em seu olhar, o sorriso decorando seu rosto, a procura pela satisfação. Sabia que já era jogo ganho. Essa seria uma noite como qualquer outra.
Convidei-a para dançar e não tardou para estarmos aos beijos. Quando beijava, beijava com força e com raiva. Como se fosse me comer. Podia sentia o calor de nossos corpos abraçados. Beijava-me como se fosse me engolir. Sua boca tinha gosto de tabaco, mas suas mãos eram finas e delicadas. Os dedos longos traçavam seu caminho na superfície do meu rosto e no emaranhado de meus cabelos. Sabia que era jogo ganho e levei-a para o motel.
No caminho, resolvi tomar o controle. Cada centímetro de pele exposta me dava uma sensação de fervor. Não podia parar de notar no seu decote, que tão facilmente chegava ao alcance de meus olhos. Enquanto dirigia, entoava palavras e histórias que a divertia. Nunca tive dificuldades com mulheres. Dê-lhes o luxo da beleza, faça-as achar que possuem a vantagem do controle, inebrie-as com a desinibição do álcool e domine-as com o prazer do sexo. Incomodava-me, somente, as infindáveis tragadas. Não pelo cigarro em si – não, não possuía nenhum efeito em mim-, mas pelo molde que dava aos seus lábios. Disse que não me importaria mais tarde enquanto subia sua mão vagarosamente pela minha coxa. O efeito foi imediato: podia sentir o fervor nas partes mais íntimas e o desejo na flor da pele.
Quando chegamos, impressionou-me a ferocidade com a qual me despia. Seu corpo não passava de um vulto na escuridão. Tocava-a, mas não a sentia. Sua superfície estava molhada de suor frio. Seus gestos eram ensaiados e frios. Mas seu corpo expelia um calor tão intenso. Depois, os beijos viraram mordidas e os toques, arranhões. Se antes se movimentava brutalmente, como um animal que se soltara de sua jaula, depois passava a mover-se lentamente na velocidade de suas tragadas. Se em determinado momento parecia calculista e caprichosa, no outro, soltava faíscas pelos olhos raivosos. Virara uma dança, onde mudávamos de posição como quem muda de ritmo. Ela conduzia e eu fazia meu melhor para acompanhá-la. Transformou-me em um virgem, usou-me como bem lhe entendeu para somente gozar do meu prazer. Arrancou em cada suspiro e em cada gemido todas as minhas energias. Extasiado, fui dormir.
Acordei com um clique. De pé, já vestida com seu longo sobretudo e luvas pretas, dava as costas para mim. Podia sentir sua respiração pesada. Levantou a cabeça enquanto preparava a arma. Puxou seus cabelos para trás e olhou-me pelo canto do olho. Seu sorriso era inexplicável. Sua expressão era orgástica e seu olhar passou a ser gélido. Era uma besta feroz. Uma besta de calibre e silenciador. O cano negro de sua arma arrancou toda a cor do meu rosto. Já não conseguia mais pensar. Fui tomado por um desespero e por uma sensação de impotência desumana. Era a carniça e só agora tinha tomado consciência disso. Fui vítima de uma deusa com fetiches macabros. Femme Fatale. Implorava pela minha vida enquanto me acuava como um cachorro assustado.
De repente, o estouro abafado. Não houve túnel. Não houve luz. Nem céu nem inferno. Havia somente nós três: eu, o monstro e a minha insignificância.
Clarissa Maria, do blog Testículos Literários
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Metafísico
Ainda hei de entender
Esse negócio de Karma
Fundação milenar
Que Kant facilmente desarma
Como algo tão subjetivo
Como os conceitos do bem e do mal
Pode trazer resultado tão objetivo
Doença, falência, acidente fatal
Para quem não conhece
Irei explicar, acompanhe:
Se você faz algo bom
Algo que a sociedade considere de bom tom
Receberá os frutos, aos montes
Se fizer algo ruim
Roubar, matar, julgar, enfim
Pagará na carne, tudo o que fizera antes
Provavelmente essa idéia foi criada
Por um jovem hindu, de cabeça meditada
Achou tão genial, a iluminação que havia tido
Que na idéia não viu o real sentido
O que o jovem hindu não sabia, e agora vou explicar
É como Immanuel Kant, jogou seu conceito pro ar
Que pobre do garoto que não enxergou o fato
De que toda moeda, tem seu outro lado
O homem divide igualmente, seu último alimento com a família
Condenar tal ação, seria tamanha heresia
Talvez um e somente um homem possa condená-la
O padeiro, que reclamando do pão roubado
Pela situação comovente não se abala
Você pode tentar defender, o pai ladrão de pão
’’Ele roubou por necessidade o que vale é a intenção’’
Bela frase, mas rebato sem receio:
’’De boa intenção o inferno tá cheio’’
Idéia cruel, mas veja por outro lado
Afinal as más ações também tem seu valor
Um homem avança o sinal, e mata o outro achatado
A ação parece errada, se não fosse por um fator
O atropelado poderia ser um agiota
Que da família daquele ladrão
Havia extorquido, roubado, fizera a todos de idiota
Algo que respeito, creio com total razão
É a idéia de Kant, e sua ética universal
Desbancou com categoria, Aristóteles e Platão
Julgando a vida muito além do bem e do mal.
Esse negócio de Karma
Fundação milenar
Que Kant facilmente desarma
Como algo tão subjetivo
Como os conceitos do bem e do mal
Pode trazer resultado tão objetivo
Doença, falência, acidente fatal
Para quem não conhece
Irei explicar, acompanhe:
Se você faz algo bom
Algo que a sociedade considere de bom tom
Receberá os frutos, aos montes
Se fizer algo ruim
Roubar, matar, julgar, enfim
Pagará na carne, tudo o que fizera antes
Provavelmente essa idéia foi criada
Por um jovem hindu, de cabeça meditada
Achou tão genial, a iluminação que havia tido
Que na idéia não viu o real sentido
O que o jovem hindu não sabia, e agora vou explicar
É como Immanuel Kant, jogou seu conceito pro ar
Que pobre do garoto que não enxergou o fato
De que toda moeda, tem seu outro lado
O homem divide igualmente, seu último alimento com a família
Condenar tal ação, seria tamanha heresia
Talvez um e somente um homem possa condená-la
O padeiro, que reclamando do pão roubado
Pela situação comovente não se abala
Você pode tentar defender, o pai ladrão de pão
’’Ele roubou por necessidade o que vale é a intenção’’
Bela frase, mas rebato sem receio:
’’De boa intenção o inferno tá cheio’’
Idéia cruel, mas veja por outro lado
Afinal as más ações também tem seu valor
Um homem avança o sinal, e mata o outro achatado
A ação parece errada, se não fosse por um fator
O atropelado poderia ser um agiota
Que da família daquele ladrão
Havia extorquido, roubado, fizera a todos de idiota
Algo que respeito, creio com total razão
É a idéia de Kant, e sua ética universal
Desbancou com categoria, Aristóteles e Platão
Julgando a vida muito além do bem e do mal.
domingo, 11 de novembro de 2007
Se o Vaticano tem um, o Hipóbole também pode
Caso você preste atenção aos blogs que freqüenta, é provável que tenha notado a aparição de um desenho no canto superior esquerdo de nossa página. Um escudo para ser mais exato; nosso escudo. Mas para que um blog precisaria de um brasão se ele não é um Estado soberano que emite documentos oficiais, você deve estar se perguntando. Bom, pra nada exatamente, mas isso não importa. O que importa é que nós temos um escudo com um lema, dois mascotes, um capacete e tudo a que temos direito.
Como éramos dois os idealizadores e a Luíza é quem desenha melhor, ficou comigo a tarefa de explicar o símbolo. Parafraseando a primeira postagem do blog: ela desenhou, eu explico. Parece justo...
O processo criativo foi bastante simples. Primeiro, resolvemos que precisávamos de um símbolo. Em seguida, deparamo-nos com o brasão búlgaro (longa história!). Ao perceber que era aquilo que queríamos para o Hipóbole, entramos no Wikipédia e procuramos por “Coat of Arms”. Na página sobre o assunto havia um desenho, no estilo você também pode ter um escudo, a partir do qual discutimos, uma a uma, cada característica do desenho.
O desenho propriamente dito leva as cores que já caracterizavam o Hipóbole Conjugada, o azul escuro e o claro. Dentro dele, é possível encontrar um trocadilho matemático que não merece ser explicado por duas razões básicas: a)ele é sem graça e b)ele é matemático.
Precisávamos também escolher os dois animais que suportariam o emblema, então aproveitamo-nos para apresentar nossos dois mascotes: Hipo e Bole; Hipo, o ornitorrinco, e Bole, o Hipopótamo. O primeiro, também conhecido como grande piada de deus, representa nossa veia surrealista, enquanto o segundo, um cara gordinho e simpático, não é símbolo de nada, mas foi escolhido por a)ser gordinho e b)ser simpático.
O passo seguinte era escolher um lema. Para soar bem esnobe, resolvemos que ele estaria em Latim. Houve um problema nesse ponto; não sabemos latim. Uma vez mais, a solução estava no Wikipédia. Digitamos “citações em latim” e escolhemos a que melhor nos representava. Nil est dictus facilus- nada mais fácil do que falar. Perfeito! Essa era mesmo a idéia do blog, ao menos na concepção de nós dois.
Ficava faltando a parte de cima do desenho. Teríamos que escolher a galhada e um capacete. Quanto ao primeiro, não havia como inovar muito, então desenhamos uma galhada. Em relação ao segundo, escolhemos o do exército prussiano, que representa a obediência quase militar do núcleo parnasiano às regras.Estava, enfim, pronto o símbolo. Ou quase, pois faltava passá-lo para o computador e trabalhá-lo no Photoshop. Em relação à arte-final, não tenho muito a dizer, uma vez que foi a Luíza quem passou horas no computador enquanto eu escrevia um texto de quinze minutos. Como já disse, parece justo.
Como éramos dois os idealizadores e a Luíza é quem desenha melhor, ficou comigo a tarefa de explicar o símbolo. Parafraseando a primeira postagem do blog: ela desenhou, eu explico. Parece justo...
O processo criativo foi bastante simples. Primeiro, resolvemos que precisávamos de um símbolo. Em seguida, deparamo-nos com o brasão búlgaro (longa história!). Ao perceber que era aquilo que queríamos para o Hipóbole, entramos no Wikipédia e procuramos por “Coat of Arms”. Na página sobre o assunto havia um desenho, no estilo você também pode ter um escudo, a partir do qual discutimos, uma a uma, cada característica do desenho.
O desenho propriamente dito leva as cores que já caracterizavam o Hipóbole Conjugada, o azul escuro e o claro. Dentro dele, é possível encontrar um trocadilho matemático que não merece ser explicado por duas razões básicas: a)ele é sem graça e b)ele é matemático.
Precisávamos também escolher os dois animais que suportariam o emblema, então aproveitamo-nos para apresentar nossos dois mascotes: Hipo e Bole; Hipo, o ornitorrinco, e Bole, o Hipopótamo. O primeiro, também conhecido como grande piada de deus, representa nossa veia surrealista, enquanto o segundo, um cara gordinho e simpático, não é símbolo de nada, mas foi escolhido por a)ser gordinho e b)ser simpático.
O passo seguinte era escolher um lema. Para soar bem esnobe, resolvemos que ele estaria em Latim. Houve um problema nesse ponto; não sabemos latim. Uma vez mais, a solução estava no Wikipédia. Digitamos “citações em latim” e escolhemos a que melhor nos representava. Nil est dictus facilus- nada mais fácil do que falar. Perfeito! Essa era mesmo a idéia do blog, ao menos na concepção de nós dois.
Ficava faltando a parte de cima do desenho. Teríamos que escolher a galhada e um capacete. Quanto ao primeiro, não havia como inovar muito, então desenhamos uma galhada. Em relação ao segundo, escolhemos o do exército prussiano, que representa a obediência quase militar do núcleo parnasiano às regras.Estava, enfim, pronto o símbolo. Ou quase, pois faltava passá-lo para o computador e trabalhá-lo no Photoshop. Em relação à arte-final, não tenho muito a dizer, uma vez que foi a Luíza quem passou horas no computador enquanto eu escrevia um texto de quinze minutos. Como já disse, parece justo.
Quatro semanas que passam
_Ontem foi aniversário do Vitor (sim, vou chamá-lo assim) e, como sou o dos que aqui escrevem que há mais tempo o conhece, resolvi escrever um pouco sobre ele que, mesmo que a franja e as espinhas disfarcem, atingiu a maioridade (antes de mim!). Conhecemo-nos na oitava série, mesmo tendo estudado no mesmo colégio desde a primeira (hum, não foi ano do qual podemos nos orgulhar, mas tudo bem). No primeiro e segundo anos fomos virando amigos, mas foi no terceiro que a amizade tornou-se verdadeira. Poderia destacar um monte de qualidades e tal, mas você sabe que isso seria forçado, que não seria eu. Então direi apenas as três coisas que mais se destacam em você: as qualidades (como a de lamber o cotovelo), suas teorias (o imediatismo - “estudar pra quê? A prova é só semana que vem”) e, principalmente, seus conselhos (“Cara, e daí se ela é gente boa? Ela é boa, não importa a parte do gente”). Bom, fora essas brincadeiras (e espero que sejam mesmo brincadeiras), eu gostaria de deixar claro o quanto eu me alegro de ter criado um circulo de amizade fora do colégio que inclui você. Sei, assim, que ainda terei que aturá-lo por algum tempo (quem sabe até concretizando aquele mito de amizade beneditina). Resumindo o que disse (mania tua, por sinal) tu é foda!
_Sem provas nessa semana; e faltam apenas duas... \o/
_Sem provas nessa semana; e faltam apenas duas... \o/
_De qualquer maneira, vai ter ONU Jr (por que tudo em Novembro?). Boa sorte para mim e para Luíza, representantes da digníssima e importantíssima República Popular da Bulgária. Já entrando no clima do Pacto deVarsóvia em 1958: até semana que vem, camaradas.
sábado, 10 de novembro de 2007
Andorinhas
Nunca havia notado...Como após a chuva, às cinco e meia, as andorinhas voam de árvore em árvore.São tantas que parece inacreditável não se colidirem e se deslocarem tão silenciosamente.São livres, pois voam para onde bem entenderem com perfeita maestria.Talvez eu só tenha as visto agora, após tantos anos, devido às circunstâncias.Talvez eu seja um homem desesperado, que busca na natureza alguma forma de sabedoria capaz de me orientar através das dificuldades.E que de alguma forma se sente maravilhado, privilegiado de fazer parte disso tudo.O fato é que vou passar por provações que desconhecia até hoje.Nunca o futuro foi tão incerto, e o medo tão próximo.Mas peço a Deus, que me de o dom de ser como a andorinha, para que possa voar para onde quiser, com essa assombrosa serenidade...como quem nada teme.
Vou me afastar do Hipóbole, por tempo indeterminado, espero a compreensão dos colegas colunistas e dos leitores...
Adeus.
Vou me afastar do Hipóbole, por tempo indeterminado, espero a compreensão dos colegas colunistas e dos leitores...
Adeus.
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Lucas Mourão
Feliz Aniversário!
Parabéns ao colunista Vitor Okendo que fez anos ontem!E boa prova a todos os vestibulandos!
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Lucas Mourão
A Vitor Okendo
Segue-se aqui minha homenagem a um grande, recém-formado, homem.
Não te conheço desde que nasci, também não a tão pouco tempo. Dizem que a primeira imagem é a que fica, mas não me lembro a primeira impressão que tive de ti, lembro-me do dia, aquele sábado, comemoração do aniversário do Marco. Não sei o que pensei sobre ti, lembro-me de ter te achado engraçado. Mas assim, superficialmente bem-humorado, assim como todos ali. Quem diria que irias vir a ser uma das pessoas que mais confio.
Tenho muitas lembranças contigo já, nesses meros 6 meses. Um tanto inacreditável, quase surreal, mas verdade. Se tornaste parte importante do meu 3º ano, da minha vida mesmo.
Acho que nunca te vi de mau-humor, tens uma tolerância maravilhosa, quase um escudo para aborrecimento, além de piadas estúpidas, afiadas e bem colocadas, nas melhores horas (Hum... Deus, Deus =P); és mais que confiável, nunca me decepcionaste: sempre estivera lá quando precisei. Muitíssimo obrigada, aliás; Por fim, és uma das pessoas que mais admiro.
Acho que mesmo com características mentais curiosas (1101011!!!111), és uma pessoa maravilhosa, digna do melhor e somente dele. Aproveite bem essa data, ela é única.
Mais que sinceramente, da sua colega de blog e amiga,
Luiza N. Silva
Não te conheço desde que nasci, também não a tão pouco tempo. Dizem que a primeira imagem é a que fica, mas não me lembro a primeira impressão que tive de ti, lembro-me do dia, aquele sábado, comemoração do aniversário do Marco. Não sei o que pensei sobre ti, lembro-me de ter te achado engraçado. Mas assim, superficialmente bem-humorado, assim como todos ali. Quem diria que irias vir a ser uma das pessoas que mais confio.
Tenho muitas lembranças contigo já, nesses meros 6 meses. Um tanto inacreditável, quase surreal, mas verdade. Se tornaste parte importante do meu 3º ano, da minha vida mesmo.
Acho que nunca te vi de mau-humor, tens uma tolerância maravilhosa, quase um escudo para aborrecimento, além de piadas estúpidas, afiadas e bem colocadas, nas melhores horas (Hum... Deus, Deus =P); és mais que confiável, nunca me decepcionaste: sempre estivera lá quando precisei. Muitíssimo obrigada, aliás; Por fim, és uma das pessoas que mais admiro.
Acho que mesmo com características mentais curiosas (1101011!!!111), és uma pessoa maravilhosa, digna do melhor e somente dele. Aproveite bem essa data, ela é única.
Mais que sinceramente, da sua colega de blog e amiga,
Luiza N. Silva
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Luiza N. Silva
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Camila
A escuridão predominava e o céu estava sem estrelas. Estava num desses subúrbios, andando pelos becos como de usual. Era uma daquelas noites inexplicavelmente frias do verão, que nos fazer encolher dentro do sobretudo. O vento gélido soprou novamente, me deixando ansiosa. Necessidade, arg! Puxei o maço do bolso e o isqueiro laranja que comprei ao completar um ano de vício – minha miséria merece ser recompensada de alguma forma. Hum... nicotina! Minha salvação em forma de abismo.
A lua já passara de seu ponto mais alto, devia ser algo perto de uma da manhã mas, sinceramente, não importava mais. Entretanto, num súbito impulso, decidi voltar – andara por horas e não estava perto de encontrar solução para minhas frustrações. O caminho de volta foi absolutamente sem-graça, como a ida, como tudo no atual momento.
Abri a porta de casa, onde contas me esperavam – não que fosse um problema, nunca era. Era apenas desanimador, mais uma gota de um maremoto. Tirei o sobretudo, sentei-me ao piano, a única alegria da vida e fechei os olhos, tocando as divinas teclas de marfim. Sonata ao Luar, terceiro movimento. Os pensamentos fluíam livremente enquanto meus dedos percorriam seu caminho natural. Cenas da noite anterior começaram a rodar minha cabeça em flashes cinematográficos – a noite tempestuosa, os becos a Noroeste, a taverna... Forcei os olhos tentando expurgá-las, o que não funcionou. Então abri-os subitamente, suando frio – odiava a sensação. Terminei a peça de olhos abertos e acendi outro dos meus Camel. Não fumava outros, porque era como tocar um piano que não era o meu: perda de tempo. Há alguns objetos na vida que simplesmente encaixam, é como se apaixonar – uma vez encontrado o certo, não há o porque de um outro. E aquele cigarro era assim: moldava com meus lábios, descia suave minha traquéia e destruía meus alvéolos com carinho, quase. Tentador.
Levantei-me e olhei no espelho. A figura que me fitava era abatida, com olheiras profundas, cabelos negros de brilho azulado e pele branca desgastada – em que espelho ficou perdida a minha face? Bah, não, odeio Cecília! Gosto de Fagundes, Casimiro, Álvares e sim, sofro do baço.
As tonteiras de sempre tomaram conta de mim. Apoiei no piano e coloquei a mão sobre a têmpora – dois minutos e estava tudo bem. Automaticamente caminhei até a cozinha, já que desde ontem não havia comido nada. Não sabia o porquê, talvez fosse uma espécie de auto flagelação. Entrei e a faca que jazia sobre a mesa ameaçou-me – por um momento, senti-a cravada em minha garganta. Se eu conseguisse me ver, tinha certeza que repararia em meios olhos então arregalados, minha palidez e os suaves movimentos que minha mão fazia sobre minha traquéia, num misto de alivio e decepção.
Estava angustiada novamente. Sabia que meu corpo pedia uma tragada e meus dedos, o piano de volta. Atendi ambos, começando o Ostinato de Bartok. De vez em quando, tirava uma das mãos e segurava o cigarro. Acho que a escola erudita nunca me perdoaria. Ao final, deixei o improviso correr e, ao desviar minha atenção de meus próprios pensamentos, escutei o Steinway uivando angustiado. O solo ficava mais rápido – não por minha própria vontade, mas por ser um reflexo do meu inconsciente. E à medida que este foi tomando forma vi, apavorada, minha própria necessidade pulsando.
Olhei o relógio da parede: só tinha se passado meia hora. Senti-me tentada, fitando o sobretudo convidativo – estava ali, lindo, minha maça a morder. Vi-me saindo pela porta, numa súbita vitória da serpente, apalpando os bolsos para checar meus pertences. A segurança tomou conta e estampei um leve sorriso. Mesmo assim, a batalha interior continuava, mas agora era tarde: já passara do ponto sem retorno.
Saí na escuridão tão familiar e, ao mesmo tempo, tão intrigante e tenebrosa. A ansiedade trilhava minhas veias e o sorriso não desaparecera. Alguns momentos conscientes imploravam uma meia volta – sabiam que amanhã estaria infestada com culpa. Entretanto, nada disso importava mais – estava cega.
Entrei num clube do centro e escolhi a vitima, um rapaz alto e charmoso, presa fácil. Não que isso importasse, só tinha que saciar a vontade. Sentei-me no bar e acendi mais um cigarro, jogando-o olhares longos enquanto soltava a fumaça vagarosamente. Não demorou muito para entender: veio em minha direção com uma cantada barata, ofereceu um drink e flertamos por algum tempo. A conversa fraca e desinteressante me causara ânsia de vômito, mas o rapaz era bonito, então mantive o sorriso plastificado. Enfim, convidou-me para dançar e não ofereci nenhuma resistência. Seu jeito alimentava a raiva que havia se estabelecido – mesmo assim, não demorou muito para estarmos aos beijos. Senti-me melhor, chegava perto do meu objetivo. As circunstâncias levaram-nos ao carro e depois, a um motel.
Durante a viagem, não me dei ao trabalho de ouvir o que falava, só sabia que gostava de falar de si mesmo. Francamente, não a melhor estratégia. Franziu levemente a testa quando acendi um novo cigarro, que acompanhou com uma piada sem graça qualquer. Dissimulei e acariciei-lhe a coxa, dizendo que não iria se importar mais tarde. Não me surpreendi com a reação involuntária.
Chegamos no quarto e a situação esquentou: usei e abusei do garoto. O relógio bateu quatro e ele já dormia. Sentia-me melhor; olhei para seu corpo e sorri. Vesti-me apressadamente, colocando luvas de couro por causa do frio. Por fim, devolvi o pesado sobretudo a meus ombros. Enfiei a mão no bolso e uma carga de adrenalina percorreu-me. Meus dedos moldaram-se na corona e tirei a pistola do meu pai – uma bela Smith & Wesson negra com um silenciador adaptado. Respirei o poder venenoso e finalmente carreguei a arma. O clique acordou o jovem, aumentando minha satisfação. Vi que sentia vontade de gritar por socorro, não o fez porque alarmei-o das conseqüências. O controle me viciava, sabia que a vida daquele menino estava em minhas mãos – poderia poupá-lo, mas não ia. A palidez evidenciava seu pânico. Claramente via a vida pela frente destroçada pela luxúria. E se arrependia.
Mudou de tática em alguns minutos, implorando pela vida. Seu desespero só me divertia, até que perdi a paciência, dando-lhe dois tiros no peito. Segundo depois, parou de respirar.
Ajoelhei-me sobre o corpo, fechei seus olhos e toquei o sangue. O efêmero prazer tomou conta – sentia-me saciada. Mas a realidade bateu cedo demais: a gota de sangue escorreu e pingou. Olhei no espelho e vi um monstro.
A lua já passara de seu ponto mais alto, devia ser algo perto de uma da manhã mas, sinceramente, não importava mais. Entretanto, num súbito impulso, decidi voltar – andara por horas e não estava perto de encontrar solução para minhas frustrações. O caminho de volta foi absolutamente sem-graça, como a ida, como tudo no atual momento.
Abri a porta de casa, onde contas me esperavam – não que fosse um problema, nunca era. Era apenas desanimador, mais uma gota de um maremoto. Tirei o sobretudo, sentei-me ao piano, a única alegria da vida e fechei os olhos, tocando as divinas teclas de marfim. Sonata ao Luar, terceiro movimento. Os pensamentos fluíam livremente enquanto meus dedos percorriam seu caminho natural. Cenas da noite anterior começaram a rodar minha cabeça em flashes cinematográficos – a noite tempestuosa, os becos a Noroeste, a taverna... Forcei os olhos tentando expurgá-las, o que não funcionou. Então abri-os subitamente, suando frio – odiava a sensação. Terminei a peça de olhos abertos e acendi outro dos meus Camel. Não fumava outros, porque era como tocar um piano que não era o meu: perda de tempo. Há alguns objetos na vida que simplesmente encaixam, é como se apaixonar – uma vez encontrado o certo, não há o porque de um outro. E aquele cigarro era assim: moldava com meus lábios, descia suave minha traquéia e destruía meus alvéolos com carinho, quase. Tentador.
Levantei-me e olhei no espelho. A figura que me fitava era abatida, com olheiras profundas, cabelos negros de brilho azulado e pele branca desgastada – em que espelho ficou perdida a minha face? Bah, não, odeio Cecília! Gosto de Fagundes, Casimiro, Álvares e sim, sofro do baço.
As tonteiras de sempre tomaram conta de mim. Apoiei no piano e coloquei a mão sobre a têmpora – dois minutos e estava tudo bem. Automaticamente caminhei até a cozinha, já que desde ontem não havia comido nada. Não sabia o porquê, talvez fosse uma espécie de auto flagelação. Entrei e a faca que jazia sobre a mesa ameaçou-me – por um momento, senti-a cravada em minha garganta. Se eu conseguisse me ver, tinha certeza que repararia em meios olhos então arregalados, minha palidez e os suaves movimentos que minha mão fazia sobre minha traquéia, num misto de alivio e decepção.
Estava angustiada novamente. Sabia que meu corpo pedia uma tragada e meus dedos, o piano de volta. Atendi ambos, começando o Ostinato de Bartok. De vez em quando, tirava uma das mãos e segurava o cigarro. Acho que a escola erudita nunca me perdoaria. Ao final, deixei o improviso correr e, ao desviar minha atenção de meus próprios pensamentos, escutei o Steinway uivando angustiado. O solo ficava mais rápido – não por minha própria vontade, mas por ser um reflexo do meu inconsciente. E à medida que este foi tomando forma vi, apavorada, minha própria necessidade pulsando.
Olhei o relógio da parede: só tinha se passado meia hora. Senti-me tentada, fitando o sobretudo convidativo – estava ali, lindo, minha maça a morder. Vi-me saindo pela porta, numa súbita vitória da serpente, apalpando os bolsos para checar meus pertences. A segurança tomou conta e estampei um leve sorriso. Mesmo assim, a batalha interior continuava, mas agora era tarde: já passara do ponto sem retorno.
Saí na escuridão tão familiar e, ao mesmo tempo, tão intrigante e tenebrosa. A ansiedade trilhava minhas veias e o sorriso não desaparecera. Alguns momentos conscientes imploravam uma meia volta – sabiam que amanhã estaria infestada com culpa. Entretanto, nada disso importava mais – estava cega.
Entrei num clube do centro e escolhi a vitima, um rapaz alto e charmoso, presa fácil. Não que isso importasse, só tinha que saciar a vontade. Sentei-me no bar e acendi mais um cigarro, jogando-o olhares longos enquanto soltava a fumaça vagarosamente. Não demorou muito para entender: veio em minha direção com uma cantada barata, ofereceu um drink e flertamos por algum tempo. A conversa fraca e desinteressante me causara ânsia de vômito, mas o rapaz era bonito, então mantive o sorriso plastificado. Enfim, convidou-me para dançar e não ofereci nenhuma resistência. Seu jeito alimentava a raiva que havia se estabelecido – mesmo assim, não demorou muito para estarmos aos beijos. Senti-me melhor, chegava perto do meu objetivo. As circunstâncias levaram-nos ao carro e depois, a um motel.
Durante a viagem, não me dei ao trabalho de ouvir o que falava, só sabia que gostava de falar de si mesmo. Francamente, não a melhor estratégia. Franziu levemente a testa quando acendi um novo cigarro, que acompanhou com uma piada sem graça qualquer. Dissimulei e acariciei-lhe a coxa, dizendo que não iria se importar mais tarde. Não me surpreendi com a reação involuntária.
Chegamos no quarto e a situação esquentou: usei e abusei do garoto. O relógio bateu quatro e ele já dormia. Sentia-me melhor; olhei para seu corpo e sorri. Vesti-me apressadamente, colocando luvas de couro por causa do frio. Por fim, devolvi o pesado sobretudo a meus ombros. Enfiei a mão no bolso e uma carga de adrenalina percorreu-me. Meus dedos moldaram-se na corona e tirei a pistola do meu pai – uma bela Smith & Wesson negra com um silenciador adaptado. Respirei o poder venenoso e finalmente carreguei a arma. O clique acordou o jovem, aumentando minha satisfação. Vi que sentia vontade de gritar por socorro, não o fez porque alarmei-o das conseqüências. O controle me viciava, sabia que a vida daquele menino estava em minhas mãos – poderia poupá-lo, mas não ia. A palidez evidenciava seu pânico. Claramente via a vida pela frente destroçada pela luxúria. E se arrependia.
Mudou de tática em alguns minutos, implorando pela vida. Seu desespero só me divertia, até que perdi a paciência, dando-lhe dois tiros no peito. Segundo depois, parou de respirar.
Ajoelhei-me sobre o corpo, fechei seus olhos e toquei o sangue. O efêmero prazer tomou conta – sentia-me saciada. Mas a realidade bateu cedo demais: a gota de sangue escorreu e pingou. Olhei no espelho e vi um monstro.
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Luiza N. Silva
Genial! Ou não... (3.5ª edição)
Minha coluna hoje está pobre, não tem fluxos de consciência nem recomendações. O principal motivo disso é o tamanho do conto que postarei hoje, o que inclusive me impediu de postar meu último poema. Não que isso realmente importe, ele aparecerá semana que vem mesmo.
E para as pessoas que acharam que 3.5 é uma referência ao D&D, sim, vocês estão cobertos de razão
Boa Prova a todos os vestibulandos da Federal e até próxima semana!
Frase da semana: "Ignorance is blissful" (W. Shakespeare)
E para as pessoas que acharam que 3.5 é uma referência ao D&D, sim, vocês estão cobertos de razão
Boa Prova a todos os vestibulandos da Federal e até próxima semana!
Frase da semana: "Ignorance is blissful" (W. Shakespeare)
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Luiza N. Silva
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Discurso de Formatura.
Bom dia, pais, mestres, parentes, alunos, colegas, amigos. É uma honra estar aqui à frente de vocês discursando sobre aquilo a que dediquei grande parte de minha última década, o Colégio, e é com grande prazer que aqui o faço.
Hoje pela manhã, fui acordado bruscamente pela desagradável voz do meu despertador falante, e pensei: ‘’Puta que pariu, tenho que fazer o discurso. ’’. Talvez tenha sido o imenso nervosismo, ou o fato de não me achar bom o suficiente para estar aqui em cima, a razão de minha amnésia. Não importa. O fato é que já estava à uma hora do presente, e não havia nem pensado como começar o falatório.
Puxei a camisa social que estava estendida na cadeira, enfiei pelo pescoço a gravata com o nó previamente feito, pois honestamente, nunca me dei o trabalho de aprender esse tipo de coisa que farei pelo resto da vida. Até escovei os dentes, visto a ocasião especial.
Já estava saindo de casa quando me lembrei das calças. Nesse ponto decidi que se tratava de nervosismo. Agora só intensificado pela protela do discurso. Saí correndo para pegar o ônibus, já que minha família inteira decidiu viajar para Cancun e me deixar aqui sozinho. ‘’Você não pode ir com a gente! Tem que fazer seu discurso lembra?’’. Pelo jeito não.
No caminho para o ponto decidi o óbvio: Faria o discurso ‘’nas coxa’’ enquanto vinha para o colégio de ônibus.
Resolvi esperar o ônibus com ar, não queria chegar a minha última convivência colegial suado e ofegante, apesar de ter passado a maioria dessas convivências nesses estados. O ônibus chegou mais cedo do que esperava. Finalmente uma quebra na lei de Murphy que regia meu dia! Encarei isso como um sinal divino.
O discurso estava pronto para ser feito, quando pensei na dura realidade: Como fazer algo que deveria ter dedicado dias, em uma jornada de apenas trinta minutos? Eu li uma vez que a criatividade fluí melhor durante o pânico da véspera. Decidi crer no potencial humano. Resolvi começar. Senhoras e senhores, por onde?
Se tem algo que eu aprendi a fazer bem nesse colégio, foram provas. ‘’Na dúvida de uma questão, faça sempre por eliminação. ’’ Resolvi eliminar o que não devia falar aqui hoje, para assim começar a escrever.
Primeiro, um discurso deve ser algo universal, era melhor eu não falar sobre minha vida. Infelizmente agora percebo que é tarde demais. Segundo, não deveria demonstrar nervosismo. Falhei novamente. Achei que não seria de bom tom falar mal de matérias ou de professores, por mais que grande parte de minha alegria da formatura seja pelo fato de nunca mais ter que olhar para um Benzeno novamente, nem ter de ouvir o falatório monótono do mestre de Química. Droga, esse método não está funcionando.
Respira meu filho. Potencial humano se lembra? Retomando. Não deveria falar sobre a saudade hipócrita. Isso eu consegui. Acho que seria até legal jogar uma piada sobre isso. Ahem. ‘’Aposto que a saudade que sentiremos uns dos outros não é maior que a saudade das noites perdidas da véspera da prova de Física não?’’ HÁ!
Tudo se encaixava, a piada ajudou a aliviar minhas tensões. Tudo estava claro. O discurso estava escrito de leve no papel, só deveria reforçá-lo com minha letra.
Infelizmente senhoras e senhores, o ônibus havia acabado de chegar.
Muito Obrigado.
Hoje pela manhã, fui acordado bruscamente pela desagradável voz do meu despertador falante, e pensei: ‘’Puta que pariu, tenho que fazer o discurso. ’’. Talvez tenha sido o imenso nervosismo, ou o fato de não me achar bom o suficiente para estar aqui em cima, a razão de minha amnésia. Não importa. O fato é que já estava à uma hora do presente, e não havia nem pensado como começar o falatório.
Puxei a camisa social que estava estendida na cadeira, enfiei pelo pescoço a gravata com o nó previamente feito, pois honestamente, nunca me dei o trabalho de aprender esse tipo de coisa que farei pelo resto da vida. Até escovei os dentes, visto a ocasião especial.
Já estava saindo de casa quando me lembrei das calças. Nesse ponto decidi que se tratava de nervosismo. Agora só intensificado pela protela do discurso. Saí correndo para pegar o ônibus, já que minha família inteira decidiu viajar para Cancun e me deixar aqui sozinho. ‘’Você não pode ir com a gente! Tem que fazer seu discurso lembra?’’. Pelo jeito não.
No caminho para o ponto decidi o óbvio: Faria o discurso ‘’nas coxa’’ enquanto vinha para o colégio de ônibus.
Resolvi esperar o ônibus com ar, não queria chegar a minha última convivência colegial suado e ofegante, apesar de ter passado a maioria dessas convivências nesses estados. O ônibus chegou mais cedo do que esperava. Finalmente uma quebra na lei de Murphy que regia meu dia! Encarei isso como um sinal divino.
O discurso estava pronto para ser feito, quando pensei na dura realidade: Como fazer algo que deveria ter dedicado dias, em uma jornada de apenas trinta minutos? Eu li uma vez que a criatividade fluí melhor durante o pânico da véspera. Decidi crer no potencial humano. Resolvi começar. Senhoras e senhores, por onde?
Se tem algo que eu aprendi a fazer bem nesse colégio, foram provas. ‘’Na dúvida de uma questão, faça sempre por eliminação. ’’ Resolvi eliminar o que não devia falar aqui hoje, para assim começar a escrever.
Primeiro, um discurso deve ser algo universal, era melhor eu não falar sobre minha vida. Infelizmente agora percebo que é tarde demais. Segundo, não deveria demonstrar nervosismo. Falhei novamente. Achei que não seria de bom tom falar mal de matérias ou de professores, por mais que grande parte de minha alegria da formatura seja pelo fato de nunca mais ter que olhar para um Benzeno novamente, nem ter de ouvir o falatório monótono do mestre de Química. Droga, esse método não está funcionando.
Respira meu filho. Potencial humano se lembra? Retomando. Não deveria falar sobre a saudade hipócrita. Isso eu consegui. Acho que seria até legal jogar uma piada sobre isso. Ahem. ‘’Aposto que a saudade que sentiremos uns dos outros não é maior que a saudade das noites perdidas da véspera da prova de Física não?’’ HÁ!
Tudo se encaixava, a piada ajudou a aliviar minhas tensões. Tudo estava claro. O discurso estava escrito de leve no papel, só deveria reforçá-lo com minha letra.
Infelizmente senhoras e senhores, o ônibus havia acabado de chegar.
Muito Obrigado.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Ausência
Por muito tempo achei que fosse o não estar
O estar sozinho
O vagar sombrio
Aí percebi que era um bicho que fica dentro do peito da gente
Comendo-nos aos pouquinhos
Achei que fosse o não aparecer
Mas vi que mesmo contigo
Continuava aqui dentro um vazio
Aí constatei que era o estar junto também
Pensei que fosse o teu silêncio
Entretanto quando falavas, não era comigo...
Cogitei até mesmo um duplo sentido
Mas não se encaixou
Porque a ausência foi apenas algo que eu inventei pra te ter como abrigo.
O estar sozinho
O vagar sombrio
Aí percebi que era um bicho que fica dentro do peito da gente
Comendo-nos aos pouquinhos
Achei que fosse o não aparecer
Mas vi que mesmo contigo
Continuava aqui dentro um vazio
Aí constatei que era o estar junto também
Pensei que fosse o teu silêncio
Entretanto quando falavas, não era comigo...
Cogitei até mesmo um duplo sentido
Mas não se encaixou
Porque a ausência foi apenas algo que eu inventei pra te ter como abrigo.
A Vida...
"A vida não vale a pena e a dor de ser vivida"
A vida é triste
Não vale a pena
é tão pequena, tão inútil
por que vivê-la?
A vida é cruel
Nos jogam neste mundo
como se fôssemos meras "coisas"
e não nos ensinam a viver;
A vida é pétrea (já dizia Drummond),
Crava seus dedos de ferro em nós
vai rasgando...nos deixa desidratados
Meros marionetes acabados;
A vida dói
é ferida aberta
é puro amor que não se preza
é cuspe na cara;
A vida é pobre
Cheia de meninos na rua
Cheia de barrigas vazias
e pessoas desempregadas;
A vida é injusta
o pão que é servido na mesa de uns
é o mesmo que falta,
na mesa de outros;
A vida não vive aqui
foi-se embora
deixou abraços e beijos
riu de nós e não perdeu sua hora.
A vida é triste
Não vale a pena
é tão pequena, tão inútil
por que vivê-la?
A vida é cruel
Nos jogam neste mundo
como se fôssemos meras "coisas"
e não nos ensinam a viver;
A vida é pétrea (já dizia Drummond),
Crava seus dedos de ferro em nós
vai rasgando...nos deixa desidratados
Meros marionetes acabados;
A vida dói
é ferida aberta
é puro amor que não se preza
é cuspe na cara;
A vida é pobre
Cheia de meninos na rua
Cheia de barrigas vazias
e pessoas desempregadas;
A vida é injusta
o pão que é servido na mesa de uns
é o mesmo que falta,
na mesa de outros;
A vida não vive aqui
foi-se embora
deixou abraços e beijos
riu de nós e não perdeu sua hora.
domingo, 4 de novembro de 2007
Telos
No princípio dos tempos, o mundo era claro e vivo. O mar, as flores, o sol, tudo no mundo o coloria alegremente. O dia e a noite revezavam-se assistindo as mais diversas espécies que viviam em harmonia. O alimento e a água existente saciavam a todos; nada atrapalhava os ciclos da natureza.
No primeiro dia, uma espécie se espalhou pela terra. O Homem se multiplicava e, por algum tempo, manteve-se respeitando os outros seres. O Homem era feliz de maneira inofensiva à terra.
Então, no segundo dia, um humano ofendeu outro. E a família do segundo se sentiu desonrada. E a família do primeiro o defendeu. A tribo se dividiu em duas, tendo início a primeira guerra. Os vencedores se sentiram superiores, e fez-se a escravidão. Os líderes da tribo gostaram da experiência e resolveram ofender outra tribo. O Homem passou a lutar por sua terra, e por sua mulher, e por sua honra, e por tudo aquilo pelo que, segundo ele, valia a pena morrer, mas principalmente matar. E até por deus, que teria criado tudo, o Homem lutou.
No terceiro dia, conforme desenvolvia seus métodos de produção, o Homem desejava novos, cada vez mais eficientes. E o Homem criou a máquina. E o Homem disse: haja o Progresso. E as máquinas trouxeram o Progresso. E o homem regozijou-se pelo que havia feito.
O Homem viu que o Progresso era bom e, no quarto dia, continuou sua busca pelo Progresso. E o homem disse: que se faça as trevas. Com as cinzas do carvão e com a fumaça das fábricas fez-se as trevas. E o Homem orgulhou-se por ser o mais inteligente ser sobre a face da terra.
No quinto dia, o Homem pensou: não é bom que o Progresso esteja só. E começou a explorar o petróleo. E o petróleo ajudou o Homem na busca pelo Progresso. E as plataformas espalharam-se. O petróleo estava agora, em todos os cantos da terra, junto ao Progresso.
Vendo o quanto era superior, no sexto dia o Homem resolveu aproveitar-se cada vez mais do que lhe fora dado. E os céus e os mares foram poluídos. E tudo começou a extinguir-se. Conforme avançava o Progresso, a terra ficava mais feia, e vazia, e cinza.No último dia, a obra do Homem estava pronta.
No primeiro dia, uma espécie se espalhou pela terra. O Homem se multiplicava e, por algum tempo, manteve-se respeitando os outros seres. O Homem era feliz de maneira inofensiva à terra.
Então, no segundo dia, um humano ofendeu outro. E a família do segundo se sentiu desonrada. E a família do primeiro o defendeu. A tribo se dividiu em duas, tendo início a primeira guerra. Os vencedores se sentiram superiores, e fez-se a escravidão. Os líderes da tribo gostaram da experiência e resolveram ofender outra tribo. O Homem passou a lutar por sua terra, e por sua mulher, e por sua honra, e por tudo aquilo pelo que, segundo ele, valia a pena morrer, mas principalmente matar. E até por deus, que teria criado tudo, o Homem lutou.
No terceiro dia, conforme desenvolvia seus métodos de produção, o Homem desejava novos, cada vez mais eficientes. E o Homem criou a máquina. E o Homem disse: haja o Progresso. E as máquinas trouxeram o Progresso. E o homem regozijou-se pelo que havia feito.
O Homem viu que o Progresso era bom e, no quarto dia, continuou sua busca pelo Progresso. E o homem disse: que se faça as trevas. Com as cinzas do carvão e com a fumaça das fábricas fez-se as trevas. E o Homem orgulhou-se por ser o mais inteligente ser sobre a face da terra.
No quinto dia, o Homem pensou: não é bom que o Progresso esteja só. E começou a explorar o petróleo. E o petróleo ajudou o Homem na busca pelo Progresso. E as plataformas espalharam-se. O petróleo estava agora, em todos os cantos da terra, junto ao Progresso.
Vendo o quanto era superior, no sexto dia o Homem resolveu aproveitar-se cada vez mais do que lhe fora dado. E os céus e os mares foram poluídos. E tudo começou a extinguir-se. Conforme avançava o Progresso, a terra ficava mais feia, e vazia, e cinza.No último dia, a obra do Homem estava pronta.
E o Homem descansou sob a terra orgulhoso de tê-la modificado, eternamente.
Rua Dom Gerardo, 68
Ao subir uma última vez os degraus de meu Ateneu
[reflito:
Como percorro em poucos minutos
Os dezesseis lances de escada
A que devotei onze anos?
-Vão-se as horas de espera
Na fila do primeiro andar.
E os empalhados do segundo,
Os preços a que me acostumei,
As aulas de flauta... TA-Á.
-Vão-se aqueles almoços
Realizados em horário notório
No bandejão que virou couve-flor
(Enjoei-me de tanto feijão)
As horas no refeitório...
-Vão-se o rala-coco e o campão
Todas aquelas partidas
Jogadas desde que chegamos
Ao pátio do quinto andar.
Os anos de ginásio, de calças cumpridas.
-Vão-se as aulas que matávamos
No sexto andar, na enfermaria
E a oitava série negra
Que vivi no sétimo andar
(Preto, guitarra, anarquia).
-E agora o oitavo andar
De onde eu vejo a Baía.
Findo o ensino médio,
Vou-me eu embora
Na esperança de voltar algum dia.
Vão-se as imagens, os prazeres,
Vai-se cada peculiaridade
Ficam os Valores aprendidos
Ficam as Amizades
Fica a Saudade Hipócrita.
[reflito:
Como percorro em poucos minutos
Os dezesseis lances de escada
A que devotei onze anos?
-Vão-se as horas de espera
Na fila do primeiro andar.
E os empalhados do segundo,
Os preços a que me acostumei,
As aulas de flauta... TA-Á.
-Vão-se aqueles almoços
Realizados em horário notório
No bandejão que virou couve-flor
(Enjoei-me de tanto feijão)
As horas no refeitório...
-Vão-se o rala-coco e o campão
Todas aquelas partidas
Jogadas desde que chegamos
Ao pátio do quinto andar.
Os anos de ginásio, de calças cumpridas.
-Vão-se as aulas que matávamos
No sexto andar, na enfermaria
E a oitava série negra
Que vivi no sétimo andar
(Preto, guitarra, anarquia).
-E agora o oitavo andar
De onde eu vejo a Baía.
Findo o ensino médio,
Vou-me eu embora
Na esperança de voltar algum dia.
Vão-se as imagens, os prazeres,
Vai-se cada peculiaridade
Ficam os Valores aprendidos
Ficam as Amizades
Fica a Saudade Hipócrita.
Três semanas que passam
_Políticos são todos iguais?
Para algumas pessoas, as eleições são um momento de mudança, de esperança, de separar aquilo que é bom do que é podre na política. Se você é uma dessas pessoas, ainda bem que você não mora na Polônia (a menos que você more na Polônia, saiba ler português e freqüente esse blog, o que é pouco provável).
Duas semanas atrás, no dia 21 de outubro, os poloneses escolheram seus representantes para o legislativo. O antigo primeiro-ministro, Jaroslaw Kaczynski, do partido de direita PiS, viu sua legenda ser derrotada pela Plataforma Cívica, do político de centro-direita Donald Tusk, apoiada pelo ex-líder do Movimento Solidariedade, Lech Walesa.
Até aí tudo bem, as mudanças parecem ter ocorrido e tudo mais. No entanto, dizem que um registro fotográfico vale mais que os escritos e o processo eleitoral foi marcado pela seguinte foto, em que o ex-primeiro ministro cumprimenta o atual presidente, seu irmão gêmeo. Tirem suas próprias conclusões.
Para algumas pessoas, as eleições são um momento de mudança, de esperança, de separar aquilo que é bom do que é podre na política. Se você é uma dessas pessoas, ainda bem que você não mora na Polônia (a menos que você more na Polônia, saiba ler português e freqüente esse blog, o que é pouco provável).
Duas semanas atrás, no dia 21 de outubro, os poloneses escolheram seus representantes para o legislativo. O antigo primeiro-ministro, Jaroslaw Kaczynski, do partido de direita PiS, viu sua legenda ser derrotada pela Plataforma Cívica, do político de centro-direita Donald Tusk, apoiada pelo ex-líder do Movimento Solidariedade, Lech Walesa.
Até aí tudo bem, as mudanças parecem ter ocorrido e tudo mais. No entanto, dizem que um registro fotográfico vale mais que os escritos e o processo eleitoral foi marcado pela seguinte foto, em que o ex-primeiro ministro cumprimenta o atual presidente, seu irmão gêmeo. Tirem suas próprias conclusões._Em resposta ao trecho que me toca (metaforicamente) no texto do Kendo da última terça-feira, gostaria de completá-lo com uma passagem relativa a nossa vida na oitava-série. Ocorreu no dia 10 de Novembro de 2004, seu aniversário; Seu pai nos levaria para o Hot Zone. Mas, pensei, o Vitor não disse diversas vezes que seu pai não era outro senão o próprio diabo? Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o motorista do carro não era o capeta, o tinhoso, o das sete peles, ou outra nomenclatura que ele tenha usado, mas um senhor com uma profissão honesta, a da urologia...
_Àqueles que estão sem fazer nada na internet esse domingo, sugiro o curta O Paradoxo da Espera do Ônibus, um dos melhores da última Maratona Odeon. Um texto que também recomendo é a crônica Ter ou não ter namorada, de Artur da Távola, que pode ser encontrado em qualquer blog (que dirá que é de Carlos Drummond) se você procurar no google.
_Até semana que vem, boa sorte aos que farão prova da UFRJ no domingo.
sábado, 3 de novembro de 2007
Trova Épica de Verão
Trova Épica de Verão
Estava tudo acertado.Tudo planejado.Fizera o último telefonema, escrevera seu testamento, já havia fechado a conta no Banco (a parte mais demorada, que fez o compromisso ser adiado em quase cinco meses), declara seus pensamentos mais ocultos às pessoas mais inconvenientes, faltara o trabalho para passear sem rumo.Mas mesmo assim era tão difícil...Olhava a dose de cianureto.Olhava para o chão.Como pude...Deixar as coisas chegarem a esse ponto...A derrota lhe era certa: não importava o seu esforço.Mesmo que a realidade não fosse penosa, não escapava da monotonia.Pronto!Decidido!Olhar só mais uma vez pra esse céu.
Mas que surpresa!As árvores do vale...Era simplesmente maravilhoso.As folhas estavam douradas, com uma beleza nunca antes vista.Nesse instante, seus olhos, há muito vendados, pela grossa camada de desesperanças cotidianas, voltaram a enxergar.Olhou ao seu redor...Recordou-se de momentos da infância.Olhou ao redor novamente...E tudo fez sentido.Subitamente se lembrou de suas idéias, suas buscas, e do ardor, da paixão pelo que fazia.Percebeu que há muito seu trabalho era esvaziado de emoção.Não se esforçava por achar os elogios suficientes...Nunca foram, nunca seriam.De que lhe adiantara estudar com afinco, se não sabia onde queria chegar?!Num só movimento jogou fora aquela droga de veneno, e já se sentia mais calmo.Plena placidez de alma.E logo veio à sua mente a seqüência de notas de uma melodia.Era uma trova!Tão única e inexplicável quanto cada uma de todas aquelas folhas, de todo aquele verde transformado em dourado! Correu para o quarto, montou a máquina.Era necessário captar aquele instante que salvara sua vida.Preparou tudo, dessa vez com menos teoria, e mais amor, e tirou a foto.
(Ipês florescendo, 02/11/07)
foto:Lucas Mourão
Era o inicio de um novo tempo.Veio à sua mente uma frase que Neil Gaiman dissera em uma entrevista: “Não se trata de acreditar que dragões existem, se trata de acreditar que se eles existissem haveria homens capazes de derrota-los”.Pegou a mochila, abriu a porta, e partiu em busca de conhecimento.
Marcadores:
Lucas Mourão
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Soneto à uma gauche
Brilhas dentro da rotina do turbilhão
Diferente, incompatível, inconcebível
Ainda sim, singular e indescritível
Um tipo heptafacetado de perfeição
Vê-se os rótulos que lhe aprisionam, eternos
Vê-se as máscaras firmemente fincadas
O rosto jovem imune a abalos externos
E o coração amargo imune a flechadas
Por um instante, a guarda jaz abaixada
A luz cruel confronta tua transparência
E surge a faísca da autenticidade
Mas vá agora e viva descompromissada!
Porque teus olhos afirmam com veemência:
És só uma criança que busca a verdade
Diferente, incompatível, inconcebível
Ainda sim, singular e indescritível
Um tipo heptafacetado de perfeição
Vê-se os rótulos que lhe aprisionam, eternos
Vê-se as máscaras firmemente fincadas
O rosto jovem imune a abalos externos
E o coração amargo imune a flechadas
Por um instante, a guarda jaz abaixada
A luz cruel confronta tua transparência
E surge a faísca da autenticidade
Mas vá agora e viva descompromissada!
Porque teus olhos afirmam com veemência:
És só uma criança que busca a verdade
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Luiza N. Silva
Tons de Cinza
Uma manhã de dia nublado:
'Olha o tempo fechado'
'Nossa, verdade, está feio!'
Pausei e pus-me em devaneio
Lembrei-me do céu anil
Simples
Uniforme
Monótono
Sorri 'Viva as nuances, viva a diversidade'
'Olha o tempo fechado'
'Nossa, verdade, está feio!'
Pausei e pus-me em devaneio
Lembrei-me do céu anil
Simples
Uniforme
Monótono
Sorri 'Viva as nuances, viva a diversidade'
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